O Paraná teve o segundo maior crescimento na produção industrial do Brasil em 2013 sobre o ano anterior, ao fechar com 5,6%, conforme divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a supersafra registrada no País e no Estado, no ano passado, as atividades que mais tiveram variações positivas no Paraná foram às ligadas ao setor, como Veículos Automotores (18,28%), Máquinas e Equipamentos (13,70%) e Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (8,93%).
O desempenho estadual foi bem acima da média nacional de 1,2%, mas poderia ter sido melhor não fosse a paralisação de quase um mês da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), da Petrobrás, em Araucária, depois de incêndio causado pelo rompimento de uma tubulação no último dia 28 de novembro. No acumulado de 2013, até novembro, a produção no Refino de Petróleo e Álcool estava positiva em 4,31%, mas acabou o ano negativa em 0,09%.
No entanto, atividades ligadas a gêneros alimentícios não contribuíram para o resultado de alta. Enquanto Alimentos teve alta de 1,40%, Bebidas sofreu a maior queda local, de 9,16%. Também tiveram resultado negativo Edição, Impressão e Reprodução de Gravações (3,30%), Celulose, Papel e Produtos de Papel (-1,39%) e Produtos de Metal (-1,13%).
O economista Francisco Castro, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), afirma que o grande motor no Estado foi o agronegócio, com previsão de supersafra para o fechamento de 2013. Mesmo que atividades como alimentos não tivessem destaque, ele lembra que veículos, máquinas e equipamentos representam tratores e caminhões usados no transporte da produção, por exemplo, o que liga a indústria ao setor rural. "A agricultura representa 8% do PIB paranaense, mas o efeito de encadeamento que tem é importante para os outros setores", diz, ao citar ainda a contribuição da construção civil, pelo mesmo motivo.
Apesar de concordar que o índice estadual precisa ser comemorado, a professora de economia Katy Maia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), considera que há concentração dos setores mais aquecidos em cidades próximas à capital paranaense. "O agronegócio foi bom para todo o Estado, mas as principais empresas de veículos, de metalmecânica, estão na Região Metropolitana de Curitiba. A desigualdade continua e é preciso uma despolarização."
Ela cita Londrina como exemplo de cidade que sofre com a falta de indústrias. "O foco ficou em serviços, que tem produtividade, salários e valor agregado menores", diz. Castro, porém, afirma que o Paraná tem passado por um processo de descentralização dos investimentos para o Interior.
A análise, feita em 14 estados, teve apenas três resultados negativos, no Espírito Santo (-6,7%), no Pará (-4,9%) e em Minas Gerais (-1,3%). No geral, o Paraná ficou atrás apenas do Rio Grande do Sul (6,8%). São Paulo, o mais industrializado e com maior peso no índice no País, fechou com alta de 0,7%.

Em dezembro
A indústria paranaense sofreu recuo de 7,3% na produção entre novembro e dezembro, enquanto o País teve 3,5%, segundo o IBGE. A desaceleração no período foi comum, com 11 dos 14 locais investigados com queda.
No entanto, houve avanço de 5,4% em dezembro do ano passado sobre o mesmo mês de 2012, ante retração de 2,3% do resultado nacional, com baixa em oito dos 14 estados analisados.

Imagem ilustrativa da imagem Indústria paranaense tem segunda maior alta do País
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