A indústria automobilística e os metalúrgicos da CUT vão iniciar, ainda neste mês, negociações sobre as cláusulas sociais da convenção coletiva da categoria. A indústria automobilística apresentou uma proposta ao trabalhadores que reduz as cláusulas sociais - das atuais 102 para 37.
Hoje diretores da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (Central Única dos Trabalhadores) se reúnem para discutir a proposta patronal. Uma reunião entre trabalhadores e empresas está prevista para o próximo dia 19.
Para o presidente da federação, Paulo Sérgio Ribeiro Alves, os cortes de benefícios negociados na Volkswagen e pelas indústrias de autopeças têm incentivado outras empresas a irem na mesma direção. ‘‘Queremos revisar as cláusulas e tirar aquelas que não mais dizem respeito ao setor’’, disse Antonio Cursino de Alcântara, da comissão de negociações da indústria.
FiatO superintendente da Fiat Automóveis S/A, Giovanni Razelli, anunciou ontem que a montadora irá conceder novas férias coletivas a seus 24 mil empregados até o final de fevereiro, para compensar a redução de demanda no mercado nacional de carros. A paralização deverá ser, a princípio, de 10 dias. Esta semana, os funcionários da Fiat começaram a retornar das tradicionais férias coletivas de fim de ano, iniciadas no dia 23 do mês passado.
VolksA uma semana do fechamento do acordo para evitar 10 mil demissões na Volkswagen, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, projetou ontem que o número de fechamento de postos de trabalho chegará a 3,5 mil, maior, portanto, do que a meta inicial de cortar 3,1 mil. A negociação para redução de benefícios deve provocar menos de 10% de diminuição da remuneração anual dos empregados. Assim, os salários continuarãos os mesmos, mas haverá prejuízos indiretos, com a perda de parte dos subsídios para alimentação e transporte e possivelmente com redução da participação nos lucros ou resultados.
FordO Sindicato dos Metalúrgicos do ABC avisa que não aceitará redução de benefícios dos empregados da Ford. E espera assim eliminar o risco de o acordo com a Volkswagen - que vai provocar redução da remuneração anual dos empregados - virar um modelo nacional. A Ford deve começar a negociar na semana que vem com o presidente do sindicato, Luiz Marinho. O principal ponto da pauta é o que fazer com 1,2 mil empregados excedentes na empresa, que tem total de 7 mil. A Ford está com programa de demissões voluntárias aberto. Conseguiu 300 inscritos desde dezembro, mas falta encontrar solução para 900.

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