A história da indústria naval brasileira é intimamente ligada a escândalos e a ineficiência no uso de recursos públicos que minaram a confiança no setor. O escândalo mais ruidoso foi o da Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunaman), em 1984, envolvendo denúncias de fraudes levantadas pelo então ministro dos Transportes, Cloraldino Severo.
Sete estaleiros e 43 bancos nacionais e estrangeiros se envolveram no ‘‘Escândalo da Sunaman’’. A superintendência administrava do Fundo de Marinha Mercante (FMM) que passou a ser gerido depois do episódio pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O escândalo culminou com o suicídio do empresário Paulo Ferraz, do Estaleiro Mauá, que tinha uma dívida de US$ 291 milhões. A divida total dos estaleiros com os bancos chegou a US$ 1 bilhão.
A partir de 1974, o 2º Programa de Construção Naval, criado pelo presidente Ernesto Geisel, movimentou em média US$ 3,3 bilhões por ano.
Percebeu-se, depois, que alguns estaleiros superfaturavam suas obras e houve casos até de emissão repetida de uma mesma duplicata, dando aos estaleiros a possibilidade de descontar dinheiro até quatro vezes com o mesmo aval da Sunaman.
O presidente FHC lembrou em seu discurso que o Brasil já teve, nos anos 70, a segunda maior indústria naval do mundo, que o governo vai se empenhar para que volte a crescer, mas que ‘‘não pode haver complacência com o erro’’. As referências aludiam ao chamado ‘‘escândalo Su© namam’’. No final do governo do ex-presidente João Figueiredo (1979-1985) foram descobertos indícios de irregularidades nos repasses de recursos do órgão aos estaleiros.
Uma das suspeitas era que as empresas descontavam, com aval da Su© namam, duplicatas de obras não realizadas, gerando a expressão ‘‘navios de papel’’. Na época, estimaram-se as perdas do governo em cerca de US$ 545 milhões.

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