Indústria naval atrai investimentos
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de julho de 2004
Agência Estado 
Rio - A retomada da indústria naval brasileira, iniciada em 1999, entra agora na segunda fase, com perspectiva de encomendas de maior porte e criação expressiva de empregos. Desde a reabertura dos estaleiros, 20 mil vagas foram criadas e o setor desponta como um dos grandes motores da economia fluminense, apenas com a construção de pequenos barcos de apoio à atividade petrolífera. Agora, grandes petroleiros e plataformas de petróleo impulsionam investimentos e atraem para o setor mais multinacionais, tradicionais empreiteiras brasileiras e até bancos nacionais.
Segundo estimativa da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), só a Petrobras fará encomendas superiores a US$ 10 bilhões nos próximos anos. São 28 navios, 12 plataformas de produção de petróleo e 23 barcos de apoio - embarcações usadas para prestar serviços às plataformas instaladas em alto-mar. Até 2015, o número de encomendas de petroleiros deve chegar a 53, segundo o programa de renovação de frota da Petrobras.
''Este tipo de encomenda tem um potencial gerador de emprego e renda bem superior ao que ocorreu até agora'', diz o superintendente para a área de indústria naval da Onip, Franco Papini. Os barcos de apoio foram o grande motor da retomada desta indústria. Desde 1999, 17 embarcações construídas no País já entraram em operação e 22 estão em fase de obras ou licitação.
Segundo cálculos do Cadastro Geral de Empregos do Ministério do Trabalho, só até maio de 2004 o setor de materiais de transporte - onde está a indústria naval - criou 3.475 postos de trabalho, cerca de 10% do total no Rio. Embora a conta inclua o setor automobilístico, a economista Luciana de Sá, da Federação da Indústria do Rio de Janeiro (Firjan) aponta a indústria naval como o principal responsável pelo aumento. ''Se olharmos apenas Angra dos Reis, que não tem montadora mas tem estaleiro, a abertura de vagas chegou a 2.023'', comenta Luciana, para quem o setor naval continuará registrando crescimento nos próximos anos.
Se os investimentos em ampliação e abertura de instalações forem um termômetro, a economista está certa. Nos últimos 12 meses, pelo menos seis empresas anunciaram investimentos para a criação de estaleiros, retomada de atividade ou a simples migração para a construção naval. Com a paralisação do programa nuclear brasileiro, a Nuclep, estatal criada para a fabricação de equipamentos nucleares, por exemplo, tem planos de tornar recorrente a receita proveniente da construção naval.


