Vânia Casado
De Curitiba
A indústria de abate de aves não está conseguindo repassar o aumento nos custos de produção como frete, ração, milho e da carga fiscal que pesa sobre o setor, para o preço do frango. Enquanto, as indústrias estão sofrendo a pressão do aumento dos custos dos insumos e impostos, o preço do frango caiu 20% de 1996 para cá. A concorrência entre as empresas está muito acirrada e impede o aumento de preços no mercado, justificou Icaro Fiecher, diretor da Avipar (Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná).
Enquanto em 1995 a produção de um quilo de frango era suficiente para comprar 9,63 quilos de milho, hoje um quilo de frango compra 6,49 quilos de milho. A perda da capacidade de compra do milho é um sério indicativo de descapitalização das indústrias, interpretou Fiechter. Segundo ele, a industria está sofrendo pressão de custos, mas o mercado não está aceitando o repasse nos preços. Com isso, muitas empresas estão adotando comportamentos variados. Umas reduzem o abate para diminuir os custos, enquanto que outras fazem justamente o contrário. Aumentam a produção e o abate, na tentativa de reduzir o custo unitário de produção com a manutenção dos custos fixos.
A Avipar constatou que do ano passado para cá, o custo do frete teve uma elevação de 11%; da ração um aumento de 20%; da folha de pagamento sobre o faturamento, mais 14%; de tributos e contribuições sobre o faturamento, outros 11%; imposto de renda e contribuição social, mais 37%; de encargos sociais, mais 30% e 50% de aumento no preço dos combustíveis. Com todos esses aumentos, o custo de produção do frango entre a produção e a indústria ultrapassou R$ 1,00 o quilo, que é hoje o valor de venda do produto no atacado, afirmou Fiechter.
Com a queda no preço do frango no mercado, o faturamento baixou penalizando ainda mais as empresas que estão com dificuldades de enfrentar a alta no custo dos insumos e impostos. No Paraná o setor é responsável pela produção de 45 milhões de cabeças por mês, o que corresponde ao abate de 1,9 milhão de cabeças por dia, sendo necessário para isso a movimentação de 3.500 viagens de caminhões entre o transporte de pintainhos, de ração, de frango para a indústria e da indústria para o comércio. ‘‘ Portanto é um setor importante em termos de faturamento que gerou R$ 35 milhões em ICMS aos cofres do governo estadual, somente no último trimestre de 1998’’, justificou Fiechter.
Ao contrário do que outros setores imaginam, o segmento de abate de frangos está movimentando os recursos financeiros sem ganhar nada com isso, destacou Fiechter. Pelo contrário, muitas empresas estão trabalhando no vermelho e outras com uma margem muito pequena. Os empresários esperam os picos de consumo como início de mês, para atingir o ponto de equilibrio, justificou.

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