Levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) indica uma ociosidade de 33% na capacidade de processamento de óleo de soja no País. Ao levar em conta as unidades ativas da indústria, a capacidade é de 158 mil toneladas por dia, mas apenas 67% desse total é utilizado. De acordo com a entidade, isso mostra que o Brasil, segundo maior produtor mundial de soja e quarto maior processador, exporta mais soja em grãos do que produtos de maior valor agregado, como farelo e óleo.
Segundo a Abiove, as exportações de soja em grão devem ultrapassar 31,5 milhões de toneladas em 2012, enquanto o processamento para atender os mercados interno e externo deve ser de 35,1 milhões de toneladas. ''Esse descompasso ocorre por questões tributárias. É muito mais fácil e barato exportar a soja do que o farelo ou o óleo. O Brasil é o único país do mundo que não incentiva a agregação de valor, enquanto isso estamos exportando soja e empregos para a China'', critica o secretário da Abiove, Fábio Trigueirinho.
Trigueirinho alega que o Brasil desonerou a exportação de soja em grão, mas ainda tributa o farelo e o óleo destinados à exportação com ICMS e Funrural, além disso, o ressarcimento do PIS e Cofins às indústrias é muito demorado. ''Isso mostra um desequilíbrio e uma falta de isonomia na cadeia produtiva, que é prejudicial ao País porque inibe a geração de empregos e agregação de valor aos produtos do agronegócio brasileiro'', avalia. De acordo com a Abiove, as indústrias com atividade paralisadas deixam de processar 15,6 mil toneladas de oleaginosa por dia no Brasil, o que representa 9% da capacidade total de processamento da soja no País. (M.F.)

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