Indústria nacional protesta em feira têxtil
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
São Paulo - A primeira edição da Go Tex Show Feira Internacional de Produtos Têxteis começou ontem, na capital paulista, com a proposta de promover intercâmbio entre empresas, comerciantes e profissionais chineses e brasileiros do setor. Porém, o evento promovido pelo Grupo China Trade Center, e com apoio da Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Têxteis e Vestuário, serviu como palco para uma manifestação organizada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), que critica a falta de apoio do governo federal diante de uma concorrência que considera desleal.
Os promotores da Go Tex consideraram o protesto equivocado. Em nota assinada pelo diretor do China Trade Center, Pan Faming, informam que o objetivo é mostrar opções de produtos, matéria-prima e tecnologias para os brasileiros, fortalecer o intercâmbio de tecnologias e apontar o caminho para que empresários locais possam exportar ao gigante asiático.
A justificativa não impediu que mais de 100 pessoas se reunissem em frente ao Centro de Convenções Anhembi, durante a manhã e parte da tarde de ontem, para fechar a rua com carros de som, bandeiras e fantasias alusivas à cultura oriental. Entre os manifestantes, estavam dirigentes dos sindicatos da indústria do setor (Sindivestuário e Sinditêxtil) e de centrais sindicais. O grupo usou faixas para subverter o slogan da feira, que é "Descubra o caminho das importações dos grandes varejistas". Os manifestantes escreveram: "Descubra os caminhos para a destruição dos empregos e da indústria têxtil e de confecções do Brasil".
Apesar do tom, o discurso do diretor superintendente da Abit, Fernando Valente Pimentel, foi comedido. Ele cobrou medidas do governo para dar competitividade à indústria nacional e reconheceu a legitimidade da feira. Também disse que a entidade aproveitou a chance de chamar a atenção da sociedade e das autoridades para a demissão de 55 mil trabalhadores neste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Estamos importando produtos fabricados em condições que não aceitamos que ocorram dentro do nosso país e estamos discutindo com nossas autoridades e autoridades internacionais a necessidade de um marco regulatório nessa questão."
Pimentel declarou que a participação dos importados cresce velozmente no Brasil. "Não porque eles sejam melhores, mas porque carregamos pesos que precisamos resolver internamente", afirmou. Ele lembrou que as indústrias têxtil e de confecções empregam hoje 1,7 milhão de pessoas e que o setor é a "âncora da inflação", ao segurar preços devido à necessidade de manter o consumidor brasileiro.
O superintendente da Abit pediu que o governo atenda a proposta de regime tributário feita pelo setor. "É um modelo simplificado e desoneroso, que permite que a empresa cresça além do Simples. Essa é a chave fundamental", disse. Citou ainda que a entidade trabalha para capacitar e promover as exportações nacionais, mas que é preciso fazer a defesa comercial contra produtos que a Abit considera inadequados para as regras do País.
Go Tex Show
A feira vai até amanhã, no Centro de Convenções do Anhembi, com 340 expositores dos setores têxtil e de confecções. São quase todos chineses, além de uma empresa italiana e algumas de Taiwan. Eles vão participar também de palestras sobre tecnologia e como importar e como exportar à China. Segundo a assessoria do evento, os promotores abriram a Go Tex para participação de empresários brasileiros e à participação da Abit, que até sugeriu a troca do nome original, que seria Go Tex Brasil. Porém, não houve interesse da indústria local em participar.
O repórter viajou a convite do evento.


