Indústria muda economia de pequenos municípios
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Entre os 399 municípios do Paraná, um grupo seleto de 17 viu seu Produto Interno Bruto (PIB) crescer mais que 100% no período de cinco anos (de 2007 a 2011). São pequenas cidades, com entre 5 mil e 15 mil habitantes. Em algumas, como Saudade do Iguaçu e Quedas do Iguaçu, na região Sudoeste, a explicação para o aumento do PIB são as compensações financeiras pagas pelo governo devido ao impacto local da construção de hidrelétricas.
Saudade do Iguaçu é a primeira da lista. O PIB lá cresceu mais de 14 vezes no período, de R$ 33,9 milhões para R$ 480,2 milhões. Em Quedas do Iguaçu, a número cinco do ranking, o aumento foi de 177%, de R$ 225,9 milhões para R$ 628 milhões.
Mas, há vários municípios nos quais a economia real, impulsionada ou não pelo Poder Público, gerou o crescimento. É o caso de Pérola (Noroeste), que está na quarta posição da lista de PIBs que mais cresceram (177%), e de Sabáudia (Norte), nona colocada, que cresceu 120%. E ainda de Terra Boa (Noroeste), em 13º lugar no ranking, com 113% de crescimento.
Os PIBs das cidades foram obtidos pela FOLHA no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Já evolução do período foi calculada pela reportagem, sem a aplicação de índices deflatores. O IBGE não faz esse cálculo em âmbito municipal. Portanto, as porcentagens de crescimento dos PIBs não podem ser consideradas reais, já que não levam em conta a inflação, mas servem para comparar quanto proporcionalmente um município gerou mais riqueza que o outro.
Pérola
Com a derrocada da cultura cafeeira, na década de 1970, a cidade de Pérola (Noroeste), hoje com 10.765 habitantes, passou a ter na pecuária a base da sua economia até o início dos anos 2000. Foi um período de pouco crescimento, com a maioria da população se dedicando à atividade rural.
O prefeito Darlan Scalco conta que, em 2003, o jovem Cleverson Polotto, hoje com 37 anos de idade, começou a mudar a história da cidade, com seu espírito empreendedor. Naquele ano, Polotto abriu a primeira facção do Grupo Oppnus, hoje o maior produtor de jeans no Paraná, dono de quatro shoppings atacadistas no Estado e em Santa Catarina.
Conforme os negócios de Polotto foram se expandindo, de acordo com o prefeito, outras indústrias têxteis foram sendo criadas na cidade. Hoje, são 43. "A indústria fez uma revolução na nossa economia", diz Scalco. Segundo ele, a iniciativa privada tratou sozinha de transformar Pérola num polo têxtil. "Somente a partir do ano passado, na minha administração, é que começaram os incentivos de doação de terreno de Poder Público", afirma o prefeito.
Scalco conta que doou cinco terrenos em 2013 para novas empresas, uma delas começa a produzir as peças de metais usadas nos jeans. "A indústria têxtil do Paraná comprava esse material no Rio Grande do Sul. Eu fui lá e busquei um gaúcho para produzir aqui", explica.
A receita líquida do município cresceu mais do que o dobro desde 2009, passando de R$ 11,4 milhões para R$ 23,2 milhões.
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