Indústria moveleira espera alta após triênio de queda
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sexta-feira, 10 de março de 2017
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
A indústria moveleira paranaense espera um crescimento de até 5% neste ano em relação a 2016, depois de enfrentar três resultados negativos consecutivos. A justificativa para a previsão de entidades do setor está não em melhores resultados nos últimos meses, mas no aparente fim da retração em dados como empregos, no segmento que tem em Arapongas o segundo maior polo do País.
O desempenho na fabricação de móveis caiu significativamente em 2016 (-35,91%) e 2015 (-17,57%), depois do início da derrocada em 2014 (-0,92%), segundo levantamento conjuntural da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Por isso, o economista da Fiep Roberto Zurcher mostra cautela ao avaliar a possibilidade de crescimento do setor neste ano. "Por enquanto, nossa economia dá apenas sinais de melhora, mas, para ocorrer aumento de demanda, é preciso retomar o emprego", diz. "Creio que por enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) do setor ficará no zero a zero, podendo ensaiar uma melhora no último trimestre", avalia.
Zurcher lembra que medidas como o fomento ao programa Minha Casa, Minha Vida, a liberação do saque de contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a redução na taxa de juros são importantes. No entanto, afirma que a instabilidade política pode comprometer a retomada. "Há uma grande interrogação sob o ponto de vista político, uma vez as reformas que precisam ser votadas podem sofrer atrasos dependendo de como evoluírem as investigações da Operação Lava-Jato", cita Zurcher.
No Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), que representa 903 fabricantes e é responsável por 9,97% do PIB de móveis no Brasil, as projeções se distanciam com alguma folga do zero. "Amargamos nos dois últimos anos um encolhimento importante, mas percebemos que paramos de piorar e vamos sair dessa ciranda negativa", afirma o presidente do Sima, Irineu Munhoz.
Munhoz considera que janeiro deste ano já foi melhor do que o mesmo mês de 2016, por ter um saldo positivo de mais de 100 vagas criadas pelas 179 indústrias de Arapongas, que empregam 12.301 trabalhadores, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) divulgado em fevereiro. "É um crescimento lento e consistente, que virá a consagrar os ajustes que foram feitos nos processos fabris, de gestão e de abertura de novos mercados."
Para o presidente do Sima, a percepção das indústrias que integram o polo de Arapongas é que foi possível equacionar o custo competitivo com a qualidade para a produção de móveis direcionados às classes C e D, o que fez a diferença no enfrentamento da crise. "Quem não tem qualidade, não sobrevive", constata.
Exportações
O polo de Arapongas é o primeiro do Brasil em volume de vendas e fornece produtos para quase 80% da rede varejista de norte a sul do país. Além disso, detém 10% das exportações brasileiras de móveis, ainda concentradas nos países da América do Sul. "Mesmo com a valorização do real frente o dólar, que deixa nossos produtos menos competitivos, as indústrias daqui vêm em uma crescente no que se refere às exportações e as 21 rodadas de negócios que realizamos nos últimos dez anos contribuíram e muito para a conquista de novos mercados", cita Munhoz.
Desperdício zero para enfrentar a crise
Há 25 anos no mercado, a Linea Brasil tem como trunfo para enfrentar a crise um programa de perda zero adotado internamente. "Ampliamos nosso quadro de funcionários com foco em trazer uma mão de obra mais qualificada que se adaptasse melhor a uma série de melhorias como a eliminação de avarias nas entregas dos nossos produtos", revela o diretor comercial, Sidney Nakama. Para este ano, ele trabalha com uma projeção de crescimento entre 3% e 5%.
Também há 25 anos no mercado, a DJ Móveis ampliou o mix de produtos em 2016, ofertando além da linha de sala de estar, outra, de sala de jantar. E o resultado foi positivo. "Conseguimos crescer mais do que o setor e devemos repetir isso neste ano", aponta o diretor comercial, Dalvo Marostica Júnior, que, por "questões estratégicas" não revela o tamanho do crescimento. A empresa exporta para 24 países e aumentou o quadro de funcionários de 390 (2015) para 502 fevereiro de 2017). "Fechamos com 460 trabalhadores no ano passado", conta.
Acreditando no reaquecimento do mercado, 168 expositores, incluindo a Linea e a DJ Móveis, vão apresentar as tendências e inovações da indústria moveleira na 11ª edição da Movelpar - Feira de Móveis do Paraná, que começa nesta segunda-feira e segue até 16 de março, no Expoara Centro de Eventos, em Arapongas. A expectativa é receber cerca de 45 mil visitantes do Brasil e do exterior. Na última edição, estiveram presentes representantes de 27 países e de todos os Estados brasileiros. (M.M.)


