Brasília - O ritmo da produção industrial do País se manteve vigoroso em abril, confirmando a continuidade do processo de recuperação da economia iniciado no segundo semestre de 2003 - e destacado nos últimos dias pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Dados do boletim ''Indicadores Industriais'' da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados ontem, mostram que as vendas cresceram 1,33% em abril, na comparação com março, e 17,92% em relação ao mesmo mês do ano passado. De julho de 2003 a abril de 2004, as vendas acumulam crescimento de 20%. Foram negativas apenas em fevereiro, quando o feriado de Carnaval reduziu os dias úteis.
Para a entidade, o aumento das vendas em abril em relação ao mês anterior é ''especialmente relevante'' porque março foi uma base forte de comparação, já que as vendas naquele mês cresceram 3,34% e tiveram o maior volume registrado pelo boletim da CNI desde 1992. A pesquisa, realizada em 12 Estados, ouvindo cerca de 3 mil grandes e médias empresas, revelou ainda que a utilização da capacidade instalada atingiu 81,2%, praticamente o mesmo nível de março (81,3%). Pelo quinto mês consecutivo, esse indicador ficou acima dos 80%.
No mercado de trabalho, as informações também apontaram estabilidade em relação a março: as horas trabalhadas tiveram aumento de 0,64% enquanto os salários líquidos apresentaram ligeira queda de 0,02%.
Para o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a trajetória de recuperação industrial deverá se manter até o fim do ano. Ele atribui o bom desempenho até aqui ao aumento das exportações e à melhora no cenário econômico doméstico, que teve redução dos juros nos primeiros meses do ano e recomposição gradual dos salários. ''A recuperação do mercado interno está se espraiando aos poucos na economia, o que permite supor que essa trajetória deve se manter este ano'', disse o economista.
Castelo Branco acredita que os bons indicadores econômicos do País - como volume de exportações e resultados fiscais do governo - reforçarão a capacidade de o Brasil absorver eventuais choques externos, como a elevação do juros nos Estados Unidos. ''Nessa hipótese, poderemos ter, talvez, um crescimento num ritmo mais lento'', afirmou.

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