Brasília Os softwares livres - programas de computador que podem ser modificados e copiados livremente por seus usuários - deixaram de ser passatempo de fanáticos por computador e já estão incorporados à indústria brasileira de software. Esta foi uma das conclusões de uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), feita com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, divulgada ontem, após um ano de elaboração.
Foram ouvidos 3.657 desenvolvedores de programas, além de especialistas e empresas usuárias.
O trabalho foi encomendado pela Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) para auxiliar nos debates sobre a política de software livre no País. A discussão mais acalorada gira em torno do PC Conectado, um programa do governo que pretende estimular a venda de um milhão de computadores populares, já com conexão à internet, por menos de R$ 1.400.
Segundo o presidente da Softex, Valdemar Borges, essa discussão entre usar software livre ou proprietário no qual o cliente não tem liberdade de copiar ou mudar o programa acaba sendo dominada pela emoção, e os dados da pesquisa podem trazer mais racionalidade ao debate. ''Vamos trazer essa discussão do fígado para a cabeça'', aconselhou.
A pesquisa mostra, por exemplo, que 53% dos desenvolvedores de software livre estão em empresas privadas. Apenas 13% estão em órgãos públicos e 10% em universidades. E mais da metade das empresas que fazem software livre também faz softwares proprietários.
Segundo o coordenador da pesquisa, o professor da Unicamp Sérgio Salles, 64% dos usuários de programas livres são grandes empresas, que faturam mais de R$ 1 milhão e têm mais de 99 funcionários. Elas buscam principalmente redução de custos, e segundo Salles, esse movimento condenará à extinção o monopólio da Microsoft em alguns tipos de programas.

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