O déficit comercial brasileiro em 1997 pode ser inferior a US$ 10 bilhões, de acordo com as estimativas feitas pelos economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e que constam do boletim Informe Conjuntural, edição de agosto, divulgado ontem. O déficit comercial foi menor em agosto, ficando o resultado acumulado no ano até agora em US$ 5,7 bilhões. O quadro econômico sinaliza a consolidação desta e outras tendências favoráveis que podem levar a uma mudança qualitativa na trajetória da economia brasileira, analisa a publicação da CNI.
Inflação baixa - em alguns casos até negativa -, déficit comercial menor, redução do consumo e maior vigor dos investimentos, são sinais favoráveis em agosto que, combinados ao maior dinamismo das exportações, melhoram as expectativas quanto à evolução da balança comercial do ano, de acordo com o Informe da CNI. Os economistas afirmam que, mesmo considerando-se o caráter sazonal (relativo a épocas específicas do ano), como um inverno pouco rigoroso que determinou entressafra atípica e grandes liquidações no comércio varejista, as taxas reduzidas de inflação demonstram que o processo de desindexação da economia avançou significativamente, permitindo ‘‘uma dinâmica da inflação independente do passado’’.
A redução do déficit comercial mostra as exportações de manufaturados registrando maior dinamismo, ao mesmo tempo que as importações ficam estáveis. Quanto ao perfil da atividade econômica, o aumento da demanda de investimento, como resultado tanto dos avanços na privatização dos serviços públicos como de recuperação da construção civil, requer importações menores. Somadas à reação das exportações, estas mudanças determinam uma melhora nas expectativas quanto à evolução do resultado comercial.
Os técnicos da CNI alertam, no entanto, que os sinais de mudança não significam a superação dos problemas que dificultam o equilíbrio da economia. O déficit público, apesar da queda de julho, continua alto, pressionando por financiamento. Em especial, o superávit primário ainda é menor que o necessário para manter estabilizada a dívida pública em proporção ao PIB. Pelo lado financeiro, o Informe da CNI observa que a queda da inflação contribui para elevar os encargos da dívida pública, aumentando o déficit operacional.

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