O nível de emprego industrial no Estado de São Paulo apresentou variação negativa de 1,56% no mês de janeiro, o que equivale à dispensa de 27.856 trabalhadores. Os números foram divulgados ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). De acordo com o diretor titular da entidade, Carlos Roberto Liboni, esse é o pior janeiro dos últimos quatro anos. Nesse período esse índice só perde para o de agosto de 95, quando o nível de emprego apresentou uma variação negativa superior a 2%.
Desde o começo do Plano Real esse índice acumula um resultado negativo de 18,5%, o que corresponde a 401.347 postos de trabalho a menos. A Fiesp atribui esse resultado às taxas de juros elevadas e à falta de reformas estruturais, que deixaram as indústrias enfraquecidas diante da crise dos mercados asiáticos.
‘‘A reforma fiscal, trabalhista, tributária e uma menor burocracia para as micro e pequenas empresas poderiam resolver esse problema’’, disse Liboni. Para ele, para que haja a criação de novos empregos, a economia precisa crescer de 6% a 7% ao ano.
A tendência para o primeiro trimestre desse ano, a princípio, é de piora nesse quadro. ‘‘Só há um motivo para não termos certeza de que o nível de emprego vai cair: a indicação de que o varejo apresentou boas vendas em dezembro e janeiro. Em dois ou três meses, isso deve refletir na produção, podendo reverter essa tendência’’, disse Liboni. No mês de janeiro, apenas quatro setores da indústria apresentaram desempenho positivo, enquanto 37 apresentaram resultados negativos e seis permaneceram estáveis.
Uma sondagem de opinião realizada pela Fiesp no mês de janeiro entre 1.187 indústrias do estado mostra que 40% das empresas prevêem uma diminuição do número de empregados no primeiro trimestre de 98 em relação a dezembro do ano passado. A pesquisa mostra também que 52% dos empresários acham que esse índice vai permanecer igual, contra 8% que apostam em alta.
Entre os que acreditam que o número de empregados vai diminuir, a retração de mercado foi uma das principais causas apontadas pelos empresários, com 67%. Em segundo lugar aparece a necessidade de redução de custos, com 53%, seguida da busca de maior produtividade, com 30%.
A sondagem da Fiesp mostra também que, após o último pacote, 59% das empresas não buscaram recursos no sistema financeiro. As 41% restantes que buscaram recursos pagaram uma taxa média de juros de 5,03% ao mês. A amostra da Fiesp para essa pesquisa contou com a participação de 65% de micro e pequenas empresas, 26% de médias e 9% de grandes empresas.
Para este primeiro trimestre, 29% dos entrevistados prevêem que seu faturamento bruto crescerá, contra 35% que acreditam que ele permanecerá estável e 36% que acham que o faturamento vai cair. Para 53% dos empresários pesquisados, a margem de lucro não vai se alterar.
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