São Paulo - Quem entra nas lojas da rede Wal-Mart, na seção de aparelhos de barbear, se depara com a seguinte advertência, logo abaixo de uma câmera acoplada a uma TV: ''Para sua segurança e para oferecer preços baixos, utilizamos circuito fechado de televisão na loja e sistemas de proteção antifurto nas mercadorias.''
A câmera não foi colocada ali aleatoriamente. Ela é estratégica para a indústria. Os produtos da Gillette são um dos alvos principais dos ladrões de supermercados no mundo inteiro, segundo a pesquisa.
No Brasil, o varejo fez uma parceria com fornecedores para a introdução de sensores antifurto nas embalagens dos 150 itens mais roubados. A iniciativa, que começou pelo Wal-Mart há cerca de um ano e depois se espalhou pelo resto do varejo, surtiu efeito quase imediato sobre as vendas. Segundo Polesi, as perdas foram reduzidas em 40%. Em alguns casos, foram até mesmo zeradas. ''Conseguimos também colocar produtos muito visados fora dos armários lacrados. Só com isso, as vendas aumentaram 20% no varejo'', diz Polesi.
A pesquisa quis saber dos varejistas se os larápios mudaram a maneira de furtar. Para a grande maioria, houve adaptações às novidades tecnológicas.
Abordagem - Os sensores foram considerados armas eficazes contra o roubo. Segundo a pesquisa da FGV, a maioria dos entrevistados afirmou que desistiria de furtar produtos como escovas de dente Oral B, lâminas Mach 3 e pilhas Duracell caso eles tivessem uma etiqueta eletrônica. ''Agora está mais difícil pegar lâminas de barbear por conta dos sensores. Se você não prestar atenção, pode ter um final ruim na saída do supermercado'', diz um ladrão.
Quanto à abordagem, os lojistas costumam ser flexíveis. Eles encaminham para a polícia quando o criminoso é reincidente ou mostrar comportamento agressivo e quando o produto roubado é de alto valor. São poupados os idosos, mulheres grávidas e quem rouba alimentos e produtos baratos.
No Wal-Mart, a política de abordagem é igual à dos Estados Unidos. Quando o alarme na saída das lojas toca, um funcionário se dirige ao consumidor e pede o tíquete de compra. ''Se algo é descoberto, convidamos o cliente a pagar o produto. Se ele se recusar, a gente chama a polícia'', diz Polesi. (P.C.)

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