Indústria incentiva plantio de trigo na Bahia
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terça-feira, 25 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O moinho J.Macedo, de São Paulo, está incentivando o plantio de trigo na região dos cerrados, no Estado da Bahia. O moinho se compromete a comprar a produção, o que é uma garantia para os produtores com intenções de investir no plantio do cereal naquela região. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Roland Guth, a indústria nacional está disposta a incentivar a produção nas regiões com potencial de produção, o que consolida uma parceria inédita entre produtor e indústria, que tem como objetivo reduzir a dependência do consumo de trigo importado.
Inicialmente a garantia de compra do moinho J.Macedo vai recair sobre uma área de até mil hectares, na região da Chapada Diamantina, na Bahia, onde os produtores devem produzir o trigo irrigado. O potencial da região corresponde ao plantio de aproximadamente 20 mil hectares. O clima da região é propício à produção desta cultura e a estimativa é a produtividade chegue a 5 toneladas por hectare, considerada uma média elevada. Para se ter uma idéia, a produtividade média do trigo de sequeiro plantado no Paraná é de 2,5 toneladas por hectare.
Segundo Guth, já existem parcerias entre moinhos e produtores para o plantio de trigo nos Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e, agora, na Bahia. A garantia de compra do trigo é um mecanismo que está sendo utilizado para dar liquidez ao produto.
Para o presidente da Abitrigo, os moinhos estão priorizando a compra da produção nacional em igualdade de condições com o trigo importado, em preço e qualidade. Em função disso, os convênios firmados entre moinhos e produtores ainda são restritos a pequenas áreas. ''Os moinhos querem se certificar que a produção nacional tenha preço e qualidade.''
Para o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flavio Turra, a abertura de novas fronteiras agrícolas em áreas com potencial de produção é um incentivo. De acordo com o técnico, cresce a preocupação dos produtores paranaenses que desejam terras para que seus filhos dêem continuidade à atividade rural da família. Com a limitação das fronteiras agrícolas e o encarecimento das terras no Paraná, resta o investimento em outros Estados, disse.
Segundo Turra, muitos produtores dos Campos Gerais, nos municípios de Palmeira, Ponta Grossa, Castro e Arapoti estão procurando diversificar seus investimentos na Bahia. Como os produtores estão passando por um momento de capitalização, eles estão investindo na compra de terras em outros Estados.


