Indústria ignora crise e segue aquecida
São Paulo - A crise nos mercados financeiros não chegou à indústria. É isso o que mostra a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação Ibre-FGV, divulgada ontem. A coleta de dados aconteceu entre 01 e 28 de agosto, o que torna esta pesquisa a primeira a refletir a percepção dos empresários no atual ambiente de turbulência financeira. ''Em nenhum quesito notamos qualquer sinal de pessimismo'', disse o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo.
O que se vê, ao contrário, é que o nível de utilização da capacidade instalada (nuci) em agosto, de 85,7%, é o mais alto desde abril de 1995 (85,9%). Outro dado que chamou especial atenção é o dos estoques. Pela primeira vez, também desde abril de 1995, que a proporção de empresas com estoques insuficientes (7%) supera a de empresas com estoques excessivos (4%).
A mistura de baixos estoques e forte uso da capacidade imediatamente sugere que a indústria está aquecida, ajudando também a explicar o otimismo da indústria. ''De fato, a indústria está aquecida e com boas perspectivas para os últimos meses do ano'', continuou Campelo. Mas destacou, em seguida, que há inúmeros sinais de investimentos em curso, afastando, segundo ele, pressões inflacionárias por parte da indústria de transformação.
Ainda assim, há exceções. Quatro gêneros pesquisados, de um total de 21, correm risco maior de enfrentar gargalos na equação oferta/demanda e, em consequência, sofrer algum aumento de preços: metalurgia (metais não-ferrosos, latas e outros produtos de metal para construção, como alumínio); mecânica (tratores para construção e agricultura e máquinas de terraplanagem); material de transportes (fabricação de automóveis e utilitários e caminhões); e produtos alimentares (abate de animais e conservas de carnes e preparação do leite e fabricação de produtos).
Sobre o dado que mostra a confiança dos empresários, cujo indicador ICI bateu novo recorde histórico ao passar de 121,7 para 121,8, Campelo acredita que demonstra otimismo de que a economia brasileira vai sair bem da atual crise financeira. O Índice de Expectativas as Sondagem, por exemplo, é o maior da série (abril de 1995) e 11,9% superior ao verificado em agosto de 2006.





