Indústria holandesa deve investir R$ 20 mi na RMC
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002
Maigue Gueths Equipe da FolhaCuritiba 
A partir de julho, uma nova indústria começa a operar no município de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. É a Akzo Nobel Ltda., multinacional de origem holandesa, que produzirá resina para o revestimento de papel, que é usado como acabamento em madeiras como o compensado. Impregnado com a resina, o papel tem função semelhante ao verniz e é usado principalmente pela indústria moveleira.
A produção de 10 milhões de metros quadrados do papel, prevista para os primeiros seis meses, será dirigida a cinco grandes indústrias do Estado, que já importam o material de fábricas da Akzo instaladas na Espanha e Alemanha. Para o diretor da empresa, Fernando Vellutini, sem a necessidade de importação, a tendência é baratear o material e, consequentemente, reduzir o custo para o consumidor final.
A implantação da indústria foi oficializada ontem de manhã, com a assinatura de protocolo de intenções com o governador Jaime Lerner (PFL). A Akzo promete investir R$ 20 milhões no projeto, que prevê a construção de 7,8 mil metros quadrados numa área de 50 mil metros quadrados, e geração de 30 empregos diretos e 20 indiretos. O protocolo segue as regras do Programa de Desenvolvimento do Paraná (Prodesul), criado no ano passado em substituição ao projeto Paraná Mais Empregos. Pelo protocolo, a empresa tem dilação de prazo para pagar o Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por até 48 meses.
A Akzo possui cerca de mil fábricas em 75 países. No Brasil, tem 15 fábricas nas áreas farmacêutica, química e de tintas, que resultaram em uma receita de US$ 450 milhões no ano passado. Escolhemos o Paraná como sede para a fábrica de revestimento de papel para madeira porque o maior mercado da indústria moveleira está aqui, explicou Vellutini. Em uma segunda etapa, daqui a três anos, a fábrica deverá atender também outros mercados, como fornecimento de madeira para painel de veículos, entre outros.
Segundo o governador Jaime Lerner, desde o início do programa de industrialização do Paraná, em 1995, o Estado atraiu investimentos de R$ 27,895 bilhões com novas indústrias. Destas, 75% estão instaladas no Interior. Lerner aproveitou para contestar as afirmações feitas pela oposição de que os incentivos fiscais para a atração de indústrias trariam prejuízos ao Estado.
A industrialização gerou empregos e criou uma grande poupança para o Estado, ou seja, ela criou emprego à vista e impostos a prazo, afirmou. De acordo com ele, conforme prevêem os acordos feitos com as indústrias instaladas desde 1995, o Paraná receberá em impostos R$ 881 milhões nos próximos quatro anos. O repasse de ICMS aos municípios, segundo ele, também aumentou quatro vezes mais neste período e o número de empregos diretos e indiretos gerados em todo Estado já passa de 700 mil.


