Rio de Janeiro - A indústria brasileira atingiu em maio o maior nível de produção desde 1991, quando teve início a série histórica do IBGE. Houve crescimento no mês em todas as bases de comparação, com a boa notícia adicional de sinais claros de reação do mercado interno. A expansão de 7,8% na produção ante maio de 2003 e o aumento de 2,2% sobre abril refletiram um crescimento generalizado nas categorias de uso pesquisadas, inclusive as que tradicionalmente dependem do rendimento dos trabalhadores.
O desempenho, considerado ''ótimo'' por analistas econômicos e entidades de classe ligadas à indústria, deverá motivar revisões para cima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. O economista do Ipea Fabio Giambiagi disse que ''tudo indica'' que o órgão fará uma revisão do crescimento da economia, que elevará a projeção anterior de expansão de 3,5%. Segundo ele, os dados divulgados ontem ''certamente são muito bons e aumentam as possibilidades de revisão para cima do PIB''.
Juan Jensen, da Tendências Consultoria, também avalia que os 3,5% de crescimento previstos pelo governo vão se transformar em uma estimativa de ''4% ou mais'' após a divulgação das estatísticas, que garantem um novo crescimento do PIB no segundo trimestre. ''Os dados são muito bons mesmo, são bem fortes'', disse. No ano, a produção da indústria acumulou até maio aumento de 6,5% e em 12 meses, de 2,8%.
A gerente da pesquisa industrial mensal do IBGE, Isabella Nunes Pereira, disse que a principal novidade em maio foi a confirmação de uma ''reação, ainda que tímida'', dos segmentos voltados para o mercado interno. Ela destacou que esses segmentos, como o farmacêutico e o de calçados, começam a se beneficiar da recuperação do mercado de trabalho e do ''efeito multiplicador'' das exportações, do agronegócio e do crédito, que foram reaquecendo a indústria até proporcionar a reação dos bens de consumo semi e não duráveis (como calçados, vestuário e farmacêuticos).
O mercado interno também garantiu a continuidade da reação dos bens duráveis, que começou no final do ano passado, liderada por automóveis e eletrodomésticos, por sua vez estimulados pelo crédito que elevou as compras desses produtos. A categoria dos duráveis também registrou em maio, assim como os bens intermediários (na maior parte voltados para exportação, como celulose e aço), o maior nível de produção da história.
Apesar da continuidade da reação dos duráveis, Isabella salientou que ''a novidade apresentada neste mês é um ligeiro aquecimento dos não duráveis, estimulado pelo efeito multiplicador de setores que vêm crescendo há mais tempo e também por alguma recuperação da renda, especialmente do rendimento industrial'', disse Isabella. Ela explicou que ''os não duráveis dependem basicamente da renda, e crescem com a recuperação do mercado de trabalho, do emprego e dos salários. E já começamos a perceber uma ligeira recuperação desse mercado''.

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