Rio de Janeiro - No primeiro semestre deste ano, a produção da indústria brasileira ficou estagnada: houve uma discreta queda de 0,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales, a indústria não cresceu na média de abril a julho. Pior: no período, diz, foi interrompida a tendência de recuperação apresentada desde o fim do ano passado.
Na média dos três últimos meses encerrada em junho, a produção ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. Segundo Sales, desde o fim de 2001 o setor ensaia uma recuperação baseada nas perspectivas otimistas para este ano. O economista afirmou, porém, que como não houve uma melhora de cenário - os juros se mantiveram altos e a renda do trabalhador em queda - a confiança dos empresários e dos consumidores voltou a ficar fragilizada.
''No começo do ano, houve uma recuperação da forte queda do ano passado. Agora se estabilizou. A piora do ambiente macroeconômico (disparada do dólar) adiou uma retomada mais forte'', disse a economista Marcela Prada, da Tendências Consultoria.
Apesar de estagnada no semestre, a produção industrial teve uma leve melhora em junho. Houve um crescimento de 0,8% ante maio na comparação
livre de influências sazonais (típicas de cada período). O crescimento, somado ao de abril (+4,9%), não foi capaz, porém, de anular a forte queda de 5,2% de maio. ''No saldo, a indústria ficou no zero a zero.'' Em relação a junho de 2001, a produção da indústria cresceu 0,7%. O economista Wilson Ramião, do Lloyds TSB, afirmou que, apesar da estabilidade no semestre, o resultado de junho surpreendeu favoravelmente. Com a disparada do dólar, diz, esperava-se até uma taxa negativa.
Para Ramião, se não fosse a crise nos mercados financeiros a indústria poderia ter até crescido no semestre, pois os juros cobrados aos consumidores seriam mais baixos, o que ampliaria o consumo e, consequentemente, a produção.
Segundo Sales, o bom desempenho de setores ligados à agricultura, à exportação e à exploração de petróleo impediram a queda no semestre. São exemplos a fabricação de celulose (7%) e de adubos e fertilizantes (25,9%) e o abate de carnes (8,2%). A produção de petróleo e gás subiu 14,3%.
Perderam ritmo ramos que dependem da oferta de crédito - mais restrita com o aumento dos juros -, como automóveis (queda de 12,4%) e eletrodomésticos (de 4,7%). Também recuou a produção de insumos da indústria automobilística: o ramo autopeças caiu 9,2% e o de borracha, 3,1%.
Tanto Marcela Prada quanto Wilson Ramião afirmaram que o acordo com o FMI melhora as expectativas de consumidores e empresários em relação ao futuro da economia. Isso, dizem, pode fazer crescer o consumo e as decisões de novos investimentos.
Ramião afirmou que o acordo pode fazer dólar e juros caírem, o que também ajudaria a ampliar a produção da indústria.

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