São Paulo Depois do Moderfrota e do Modercarga, agora é a vez do ''Modertrem''. A indústria ferroviária conseguiu um programa de financiamento especial do governo federal para estimular a produção do setor, a exemplo do já criado para a indústria de máquinas agrícolas, o Moderfrota.
De acordo com o ministro dos Transportes, Anderson Adauto, o BNDES deve liberar em breve uma linha de crédito com condições especiais. Com isso, vai financiar a compra de 14.058 vagões entre 2004 e 2006. Serão financiados, portanto, 4.686 vagões por ano. Outros 5 mil vagões deverão ser reformados através da nova linha.
Com isto, o governo atende a um antigo pedido da indústria brasileira. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Luís Cesário Amaro da Silveira, afirmou que a indústria voltará a produzir nos mesmos níveis de 30 anos atrás, quando havia demanda para 5 mil vagões por ano para os fabricantes locais. ''Na verdade, a demanda para o próximo triênio poderá até superar este número'', diz ele.
Atualmente, através do Finame, um comprador de equipamento ferroviário consegue financiar até 80% do valor do bem em cinco anos. A nova linha de crédito do BNDES amplia o prazo de financiamento para dez anos (120 meses), com carência de dois e redução dos juros de 6% para 4% ao ano, mais Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). As taxas de juros do Moderfrota, por exemplo, variam de acordo com a renda do agricultor e estão entre 9,7% ou 12,7% ao ano. A nova linha de financiamento para vagões será ainda mais elástica do que a do Moderfrota, que tem prazo de 72 meses.
O programa de financiamento faz parte de um estudo do BNDES para reativar a indústria ferroviária e vinha sendo discutida desde maio, quando o governo federal lançou o Plano de Revitalização do Setor Ferroviário.
A produção de um vagão demora porque as empresas estão sujeitas à programação das siderúrgicas, que fornecem as chapas. ''O governo deve entender que não se produz um vagão de uma hora para outra; é preciso tempo para realizar as encomendas'', diz Silveira. O lobby do setor por uma linha de crédito mais barata intensificou-se após as privatizações das ferrovias, em 1996. O atual governo, porém, se mostrou mais sensível às reivindicações da indústria por causa da necessidade de gerar empregos locais.
As medidas para revitalizar o setor ferroviário estão em discussão numa câmara setorial. A terceira reunião da câmara ocorreu em São Paulo, no último dia 6, com participação de representantes das concessionárias de ferrovias, da indústria, dos usuários d o transporte, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do BNDES.

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