SÃO PAULO - Pesquisa divulgada ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revela que as importações do setor passaram a representar este ano mais da metade do consumo interno das indústrias brasileiras. Em 1980, as máquinas e equipamentos importados representavam apenas 13,50% do consumo nacional, e 86,50% eram produzidas no País. A participação dos importados vem crescendo nos últimos anos, chegando a 32% no ano passado. Nos primeiros quatro meses de 97 o porcentual chegou a 51%, superando pela primeira vez em várias décadas a produção nacional.
Ao mesmo tempo em que as importações cresceram 39% este ano, o valor dos investimentos do parque industrial brasileiro em bens de capital registrou queda. O valor dos investimentos, que já chegou a US$ 26,8 bilhões em 1980, caiu a US$ 19,30 bilhões no ano passado e deve ficar em US$ 17,58 bilhões este ano. O resultado, segundo o levantamento da Abimaq, foi a demissão de 2.500 trabalhadores nos primeiros quatro meses do ano. ‘‘O governo briga para atrair uma fábrica da General Motors no Rio Grande do Sul, que emprega 2 mil trabalhadores, mas permite a demissão de um número muito maior na indústria de máquinas e equipamentos’’, reclama Sérgio Magalhães, presidente da entidade.
Segundo ele, grande parte dos fabricantes estão reduzindo
a produção e passando a importar volumes cada vez maiores. ‘‘Nós mesmo recomendamos que os associados mudem o perfil de produção, para incorporar mais componentes importados e reduzir custos como estratégia de sobrevivência’’, afirma Magalhães. ‘‘Estamos fazendo um grande esforço para exportar, mas a importação cresce de forma exagerada’’. As exportações cresceram 3,9%, somando US$ 1,03 bilhão no quadrimestre, o que projeta um total de US$ 3,6 bilhões no ano. As importações de janeiro a abril totalizam US$ 2,38 bilhões.
A Abimaq critica a falta de empenho do governo no encaminhamento da reforma tributária. ‘‘Se o esforço fosse o mesmo que fizeram para aprovar a reeleição, a situação poderia mudar’’, afirma Magalhães. Ela aponta três fatores principais para a crise do setor de máquinas: a elevada carga tributária que incide sobre a atividade produtiva, os juros elevados nos financiamentos e a política cambial.

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