Arquivo Folha Com o fim da isenção de imposto de importação para máquinas sem similar no País, a indústria de bens de capital poderá faturar US$ 16 bilhões este ano, US$ 2 bilhões mais do que previam empresários da área para 1997. Essa é a expectativa do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Sérgio Magalhães (foto). Com os US$ 2 bilhões a mais, calcula o empresário, vai ser possível garantir cerca de 30 mil postos de trabalho. ‘‘Algumas empresas podem contratar e quem pretendia demitir pode mudar de idéia’’, afirmou Magalhães.
Acabar com o chamado ‘‘ex-tarifário’’, um mecanismo que permitia importar equipamentos sem similar no Brasil com alíquota zero de importação, é antiga reivindicação do setor. A principal reclamação dos empresários era que, por essa forma de importação, entravam no País muitos equipamentos com similar nacional. Dos US$ 12 bilhões de bens de capital importados no ano passado, 60% não pagaram imposto, diz Magalhães. ‘‘Os critérios para conseguir a concessão de importação com alíquota zero teriam de ser mais rigorosos’’, afirmou Giulio Lattes, diretor da Abimaq.
Conseguir uma autorização para trazer de fora uma máquina sem pagar imposto de importação era fácil, segundo Magalhães, porque não havia descrição da máquina, mas apenas de suas funções. ‘‘Além disso, os equipamentos são repletos de dispositivos eletrônicos e os fiscais não conseguiam definir qual era a máquina que estava sendo importada’’, afirmou. ‘‘Isso permitia muita fraude’’, acrescentou.
Para Magalhães, as reclamações de empresários das indústrias de alimentação, papel e têxtil, principais importadores de máquinas nos últimos anos, são infundadas porque, na sua opinião, o governo só está restabelecendo as regras do jogo e o custo de produção, na sua opinião, não deve crescer muito.

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