Indústria exige novo perfil para técnico
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
Agência Estado 
Um profissional especializado, com conhecimentos de informática, para a programação de máquinas computadorizadas no processo de produção que domine o inglês técnico, para ler e interpretar manuais de operação e de reparação de equipamentos de última geração. Esse é, hoje, o empregado que a indústria procura.
O novo perfil do profissional técnico foi indicado em pesquisa feita recentemente pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de São Paulo, com 1.300 empresas do Estado. A pesquisa teve por objetivo atualizar os cursos oferecidos pelo Senai e foi feita em duas etapas.
Na primeira parte, procurou-se conhecer o processo de produção atualmente adotado pelas empresas e, também, apurar o perfil do profissional desejado. Na segunda fase, o estudo abrangeu a forma de organização de trabalho, equipamentos, software e tecnologia utilizados e outros pontos relacionados com, por exemplo, competitividade, meio ambiente e qualidade dos produtos. O levantamento foi complementado ainda com informações obtidas em 38 fóruns regionais e em reuniões com lideranças dos empresários e dos trabalhadores.
Após esse trabalho, a conclusão da pesquisa mostrou que as indústrias estão procurando profissionais que conheçam técnicas de CAD/CAM (programas para desenho técnico e projetos de engenharia) e Comando Numérico Computadorizado (CNC) e com domínio do inglês técnico. Mas o principal diferencial no novo perfil do técnico em relação ao antigo trabalhador, segundo o diretor de Educação do Senai, Milton Gava, ficou por conta das chamadas competências sociais - aquelas características pessoais que até há bem pouco tempo as empresas não exigiam de seus operários.
Entre essas características estão, por exemplo, a facilidade de relacionamento com colegas, sejam subalternos, sejam superiores; capacidade de trabalho em grupo; domínio das chamadas tecnologias limpas, que preservem o meio ambiente e rendam à empresa avanços na produção; capacidade de propor soluções para os problemas e, também, mudanças em relação à matéria-prima, métodos de produção e, até mesmo, no design do produto, para a melhora da qualidade, crescimento da produtividade e competitividade da empresa no mercado. Com isso, de acordo com Gava, o interesse por empregados com formação específica, como torneiro mecânico, ajustador, fresador e retificador, entre outros, tende a diminuir. A indústria quer um empregado especializado, mas com visão geral do processo produtivo e até do seu negócio.
Para o diretor do Senai, os profissionais que estão no mercado que ainda não dominam as novas habilidades devem se preparar para manter a sua empregabilidade (capacidade de obter trabalho e renda). Para isso, podem recorrer aos cursos do Senai, os quais estão passando por uma reestruturação, e aos programas de treinamento e reciclagem das próprias empresas.
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