A economia brasileira andou de lado em outubro, segundo pesquisas divulgadas ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos). A produção industrial brasileira caiu pelo oitavo mês consecutivo em outubro, revela o IBGE. Dessa vez, o recuo foi ainda maior: de 3,4%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Este é o pior resultado desde julho de 1999, quando a indústria caiu 5,1%. Em relação a setembro, a indústria apresentou retração de 1,9% em sua produção.
Os números do Dieese quanto ao mercado de trabalho também foram negativos: a taxa de desemprego total na região do ABC, um dos mais importantes pólos de produção do País, aumentou de setembro para outubro deste ano, passando de 16,8% para 17,7% da PEA (População Economicamente Ativa).

A continuidade da trajetória de queda da atividade industrial deve-se ao quadro macroeconômico desfavorável do país (juros e câmbio altos), conjugado com o racionamento de energia elétrica, o desaquecimento da economia global e ainda à crise na Argentina. No acumulado do ano, a indústria continua positiva, mas ainda influenciada pelos resultados positivos predominantes nos primeiros meses do ano. A atividade industrial continua em processo de desaceleração. Passou de 3,2% de janeiro a setembro para 2,5% no acumulado até outubro. Em setembro, a indústria caiu 1,9% na comparação com o mesmo período de 2000.
Em outubro, o segmento de bens de consumo semi e não duráveis caiu 2,5 por cento, em relação a setembro, o de bens intermediários teve retração de 2,1 por cento e o de bens de capital, de 1,0 por cento. A única exceção foi a de bens de consumo duráveis, que após sete quedas consecutivas, teve crescimento de 6,9 por cento.


Os números de desemprego medidos pelo Dieese confirma retração. O contingente de desempregados somente na Grande São Paulo termômetro do mercado nacional foi estimado em 221 mil pessoas em outubro, em pesquisa do Dieese, em conjunto com o Consórcio Intermunicipal das Bacias do Alto Tamanduateí e Billings. Esse movimento é considerado atípico pelo Dieese, porque normalmente nesta época do ano as indústrias e comércio contratam mais do que demitem. Ao contrário dos últimos três anos, o nível de ocupação recuou 0,7% em outubro.

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