Rio Mesmo com juros altos e crise política, os empresários da indústria da transformação apostam em melhora no cenário de longo prazo e elevam seus investimentos em 2005. É o que mostrou a 156 Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação - Quesitos Especiais, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o levantamento, a indústria programa investimentos totais de R$ 45,5 bilhões esse ano, 18,2% acima do registrado em 2004. Os bons resultados são puxados por compra de máquinas e equipamentos, destinados a atender demanda forte nas exportações; e por bens duráveis. A pesquisa anunciada ontem foi feita os dias 28 de junho a 28 de julho. O montante total de investimentos programados para esse ano abrange 710 companhias, mas apenas 676 empresas concordaram em responder informações detalhadas de aportes nos anos de 2004 e de 2005. A partir desse último número, a FGV apurou que 59,6% das empresas entrevistadas planejam investir mais esse ano, ante 2004. Em contrapartida, 40,4% estimam investir menos em 2005, em relação ao ano passado.
O levantamento tem como base a sondagem completa da indústria, anunciada no final de julho e referente ao segundo trimestre, que apurou pessimismo entre o empresariado, preocupado com a política monetária apertada e a turbulência política. Mas o cenário detectado pela sondagem no mês passado era relacionado mais a um período de curto prazo, segundo avaliação do coordenador de sondagens conjunturais da FGV, Aloisio Campelo. ''Quando o empresário pensa em investir, ele pensa em um horizonte de longo prazo (...) O desânimo no curto prazo não afetou a decisão de investimento'', disse.
Embora tenha destacado que, pela análise dos investimentos, os industriais não acreditam em contágio da crise política na economia, e confiam em queda de juros no longo prazo, Campelo admitiu que o levantamento foi feito antes da turbulência no cenário político atingir a imagem do ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
Ao comentar a análise, Campelo destacou os bons desempenhos de dois setores básicos da indústria da transformação: bens intermediários e bens de consumo. No caso de bens intermediários, no qual estão incluídos os setores de papel e celulose, química e metalurgia, 60,4% das empresas entrevistadas planejam aumento dos investimentos esse ano, ante 2004. Esses recursos estão sendo usados para compra de máquinas e equipamentos. No caso dos bens de consumo, no qual estão incluídos os bens duráveis, como automóveis e geladeiras, 61,6% das empresas pesquisadas no setor planejam investir mais esse ano, em relação ao ano passado. O setor de bens de capital também registrou resultado positivo, com 51,7% das companhias dessa área informando que vão investir mais em 2005.
Entre as quatro principais categorias da indústria da transformação, apenas uma não apresentou resultado muito favorável: a de material de construção. Nesse setor, 51,7% das companhias estimam aumento de investimento esse ano, ante ano passado, mas 48,3% disseram que vão investir menos em 2005.

mockup