Indústria e varejo estão animados com o Natal
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sábado, 20 de setembro de 2003
Márcia de Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo - O primeiro Natal do governo Lula começou mais cedo para os grandes fabricantes de eletroeletrônicos, antes mesmo da injeção de crédito de R$ 400 milhões para compra de eletrodomésticos, anunciada nos últimos dias pelo governo. Ao contrário dos anos anteriores, quando o varejo deixava para a última hora as encomendas, hoje boa parte das grandes redes já fez os pedidos de aparelhos de imagem e som para as indústrias.
Animadas com o Natal, há empresas que chegam a projetar crescimento de até 35% nas vendas deste fim de ano ante 2002. Para isso, contrataram pessoal e trabalham a plena carga.
Não é de hoje que o governo tenta impulsionar a atividade. Nos dois últimos meses, reduziu compulsórios sobre depósitos à vista, cortou o IPI para os veículos, baixou os juros e agora fecha o primeiro acordo de crédito abatido no holerite. Além do crédito ampliado, os preços deverão ajudar nas vendas neste Natal. Fabricantes dizem que eles estão praticamente estáveis em relação a 2002, especialmente na linha de áudio e vídeo. Por causa do recuo do dólar para R$ 3,00, depois de ter atingido R$ 4,00 no fim de 2002, os preços dos eletrônicos que levam componentes importados recuaram.
''O ritmo de encomendas neste ano está muito mais acelerado do que em 2002. Os grandes varejistas já fizeram as programações de compras até dezembro'', afirma o diretor nacional de Vendas da Semp Toshiba, Luís Freitas. A pressa dos lojistas, diz ele, é explicada pelo fato de o varejo estar praticamente sem estoques. Além disso, há atrasos na liberação pela Receita dos componentes importados. Também com a retração no consumo dos últimos meses, as indústrias de Manaus reduziram o fluxo de caminhões para o Centro-Sul. Por isso, lojas anteciparam pedidos.
Se a Semp Toshiba conseguir desembaraçar todos os componentes importados em tempo hábil, vai apresentar crescimento de 10% nas vendas de áudio e vídeo neste Natal. ''Nossa meta de faturar R$ 1 bilhão este ano está garantida. Tivemos crescimento nas linhas de áudio e DVD'', diz Freitas.
Cenário otimista - A Philips também espera um fim de ano melhor. ''Cerca de 70% dos nossos clientes já nos entregaram as previsões de compras'', diz o gerente geral de Marketing de Consumers Electronics, Fernando Stinchi. Em 2002, os pedidos foram feitos no fim de outubro.
Ele diz que a empresa está mais animada após o pacote de crédito do governo. Mas já esperava um cenário otimista antes desse incentivo. Entre maio e junho, quando a companhia teve de fazer as encomendas de componentes importados, apostou que a conjuntura iria melhorar e as vendas cresceriam 40% no segundo semestre em relação ao primeiro. A Philips trabalha hoje utilizando toda a capacidade instalada. ''Ampliamos em 4% o quadro de pessoal na produção'', diz Stinchi.
A LG trabalha agora com três turnos e usa 100% da capacidade instalada. ''Nos preparamos para crescer 35% neste Natal. Vamos atingir a marca de 1 milhão de televisores este ano'', diz o gerente de Produtos de Imagem e Som, Marcelo Granja. Ele conta que a decisão de ampliar em 35% a produção foi tomada quando o cenário ainda era incerto. ''Nossa estratégia era roubar o mercado da concorrência. Agora será mais fácil atingir a meta.''
A Mondial, fabricante de eletroportáteis, calcula crescimento de 30% na venda de ventiladores. O diretor comercial, Giovani Cardoso, conta que acaba de contratar 250 trabalhadores.
''O Natal após a queda dos juros tem outro sabor'', afirma o diretor comercial da BSH Continental, Luís Piton. Ele diz que as encomendas de fogões e geladeiras não começaram. Mas o pacote de crédito deve suscitar o desejo de compra e atenuar perdas de 20% nas vendas.


