Indústria e exportações serão destaques do PIB da crise
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A forte desaceleração nos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre, cujos resultados serão apresentados pelo IBGE no dia 10 de março, vai abranger todos os componentes do indicador, com destaque para a indústria e as exportações. Segundo analistas, o tombo do setor industrial no PIB será forte e a queda poderá ser a maior já apurada em 12 anos. A contribuição negativa do setor externo, que vem sendo registrada desde 2006, também foi mais acentuada no final do ano passado.
O efeito da crise foi generalizado no PIB e bateu na economia muito mais pela crise de confiança do que por qualquer motivo, adianta o economista da LCA Consultoria, Braulio Borges. Depois de vários trimestres vamos ver tintas vermelhas no PIB do final do ano passado, principalmente na indústria e nas exportações e o problema não acabou ainda, acrescentou o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.
Ante igual trimestre de 2008, a perda de ritmo será intensa no consumo do governo e das famílias, no setor externo, nos impostos e nos investimentos, mas o sinal negativo estará restrito às indústrias e às vendas externas. Porém, na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, todos os componentes do PIB deverão registrar resultados negativos no quarto tri.
De acordo com Sergio Vale, os resultados serão ainda piores no primeiro trimestre de 2009. Segundo ele, no quarto trimestre ainda haverá expansão de 1,4% ante igual trimestre do ano anterior - representando uma forte desaceleração em relação ao terceiro tri, quando houve expansão de 6,8% -, mas no primeiro trimestre, ainda não projetado, haverá resultado negativo nessa base de comparação. Serão dois trimestres de PIB muito fraco que darão o tom do crescimento de 2009, observou.
Para o quarto trimestre as projeções de Vale, comparativas a igual período de 2007, apontam uma queda de 3,1% no PIB industrial, revertendo a significativa expansão de 7,1% apurada no terceiro tri. Nas contas da LCA, o PIB da indústria vai recuar 2,3% nessa base de comparação e apresentará uma queda de 7,7% em relação ao terceiro trimestre.
Apesar das previsões de reversão muito forte nos resultados do PIB nos últimos três meses de 2008, Borges, da LCA, ao contrário de Vale, acredita que o primeiro trimestre vai mostrar que o fundo do poço dos efeitos da crise na economia brasileira ficaram no ano passado. Ele argumenta que os dados do consumo de energia elétrica e licenciamento de automóveis no primeiro bimestre apontam uma reação importante na economia, que deverá, segundo a LCA, registrar uma expansão em torno de 0,5% no primeiro tri ante o quarto tri do ano passado e de cerca de 1,0% ante igual período de 2008.
Para o quarto trimestre, porém, as projeções são dramáticas. Borges estima um recuo de 1,8% no PIB ante o terceiro tri que, se confirmado, será o pior resultado em 10 anos. Ainda nessa comparação, o consumo das famílias deve recuar 0,7%, enquanto os investimentos deverão cair 8,7%.


