Indústria e comércio prevêem Natal ''magro''
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segunda-feira, 14 de outubro de 2002
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O aumento da taxa básica de juros para a economia, de 18% para 21% ao ano, decidida pelo Copom, frustrou as expectativas que o comércio e a indústria tinham de vender mais neste final de ano. Os representantes da indústria e do comércio foram unânimes em afirmar que este ano o Natal será bem ''magrinho'' para todos e a decisão vai influenciar nas negociações entre os dois segmentos.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, a decisão do Copom foi ''terrível'', considerando que o Produto Interno Bruto (PIB), que soma as riquezas do País, já está baixo. Ou seja, as vendas já estão em baixa em decorrência da queda de renda. Por outro lado, o empresário admite que a situação do País é frágil, diante de um cenário econômico mundial e nacional conturbado. Carvalho admite que o governo precisava adotar medidas firmes para conter a elevação de divisas promovida por especuladores.
Para o presidente da Fiep, ainda é cedo para falar em freio na produção. Segundo ele, é preciso acompanhar o desempenho da economia nos próximos dias, para saber se a produção será contida ou não.
Para Marcos Domakoski, presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), a elevação na taxa de juros aconteceu na ''pior hora possível'' para o comércio. Segundo Domakoski, este é o momento que os lojistas estão fazendo as compras e assumem um endividamento com a expectativa de que a demanda no final do ano vai consumir os estoques. Para ele, com a elevação das taxas de juros, o consumidor vai reduzir as compras.
''Em função disso, será inevitável a redução do volume de negociações entre comércio e indústria'', afirmou Domakoski. O empresário também admite que a situação macroeconômica do País é delicada e que o momento inspira cuidados. ''Mas não esperava a elevação da taxa de juros'', insistiu.
Para o analista econômico da Federação do Comércio do Paraná, Vamberto Santana, o aumento na taxa de juros vai refletir daqui a 30 dias, quando o consumidor vai encontrar valores mais altos nas prestações das compras feitas a prazo. Daí ele prevê a redução nas vendas. O comércio por sua vez, deverá acelerar promoções e queimas de estoques como forma de ''ir sobrevivendo'' e não ficar com o ''mico'' na mão.


