Curitiba A indústria foi o segmento que mais consumiu energia elétrica nos três Estados do Sul do País, em 2002. Na região, o consumo de energia elétrica cresceu 2,1% em relação ao ano anterior. Pesquisa feita pela Eletrosul aponta que Paraná e Santa Catarina foram os Estados onde as indústrias mais consumiram energia, com aumentos de 2,5% e 3,6%, respectivamente.
Dados da Companhia Paranaense de Energia (Copel) mostram que o número de consumidores no Paraná cresceu 8,6%. Esse aumento foi motivado pela expansão dos investimentos industriais, confirmou o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Para Cordeiro, o crescimento do consumo de energia no segmento industrial poderia ter sido maior, caso o cenário econômico que predominou no ano passado, com alta das taxas de juros, não inibisse os investimentos.
Por outro lado, o consumo residencial de energia ainda está negativo. Na região Sul a demanda caiu 0,2%, o que mostra que o setor continua influenciado pelos efeitos do apagão, período ocorrido entre maio de 2001 e fevereiro de 2002, quando as famílias reduziram drasticamente o consumo de energia elétrica em todo o País.
O consumo residencial, apesar de estar crescendo gradativamente desde o final do racionamento, ainda apresenta resultado negativo no Sul. No Brasil, a queda no consumo de energia elétrica foi de 5% no ano passado e na região Sudeste, a queda foi de 7,1%.
De acordo com a Eletrosul, os consumidores residenciais mudaram os hábitos devido ao racionamento. As pessoas passaram a gastar menos e continuaram economizando, devido também aos reajustes das tarifas acima da inflação do período.
Cordeiro concorda que o usuário incorporou ao dia-a-dia a economia com o consumo de energia. Mas não prevê aumento significativo na demanda porque as famílias, pelo quinto ano seguido, enfrentam queda na renda.
Para este ano, o economista prevê estagnação ou até queda no consumo residencial de energia elétrica. O comportamento das famílias vai depender do aumento das tarifas que, no Paraná, ocorrerá em junho. Por outro lado, a demanda industrial tende a crescer, com a dinamização das indústrias beneficiadas pela exportação.

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