Indústria do setor plástico reajusta preço
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quinta-feira, 19 de agosto de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Sem fôlego para absorver nova alta da matéria-prima, as indústrias do setor plástico paranaense já começam a repassar o aumento para o produto final. Segundo dados do Sindicato da Indústria do Material Plástico no Estado do Paraná (Simpep), a resina termoplástica hoje cotada a US$ 1.150,00 a tonelada teve reajuste de 15%, no último dia 16, e a indústria petroquímica já sinaliza um aumento de mais 10% a partir de 1º de setembro. Os reajustes são consequência da alta no preço do petróleo, cotado no mercado internacional a US$ 45,00 o barril.
De acordo com o consultor do Simpep, Moacir Moura, o preço do produto acabado deve aumentar entre 15% e 20%, o que significa que as indústrias de plástico ainda absorverão parte da alta da matéria-prima, caso se confirme o reajuste no próximo mês.
No ano, a resina acumula alta de 49,5% e, segundo ele, a indústria plástica vem repassando apenas metade dos aumentos. ''Na economia, a ponta é que paga a conta'', comparou.
A dificuldade em praticar aumentos no preço dos produtos acabados também está atrelada ao fato de grande parte das empresas paranaenses produzirem apenas sacolas plásticas, que além de ser uma commodity, torna o mercado ainda mais competitivo, explicou Moura. Segundo ele, 40% das cerca de 400 indústrias de plástico do Paraná fabricam sacolas.
O reflexo da crise no setor, afirmou Moura, é o ''sucateamento'' das indústrias. Cerca de 85% delas são de pequeno porte e, nos últimos três anos, não fizeram investimentos em aprimoramento tecnológico, o que também as tornaria vulneráveis em um mercado tão competitivo.
Outra preocupação das indústrias do setor plástico é com uma eventual falta de matéria-prima no mercado interno. A grande demanda por produtos petroquímicos tornou o mercado superaquecido. Segundo ele, países como a China estão comprando muita resina termoplástica e, com isso, as empresas brasileiras que produzem estão preferindo exportar.
O presidente do Simpep, Dirceu Galléas, acredita que o preço dos produtos que usam embalagens plásticas não está livre de sofrer aumentos. ''Apesar do valor das embalagens não ser tão significativo na maioria dos produtos, inevitavelmente teremos reflexo deste repasse de aumentos no ponto de venda'', projetou.
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) não chegou a fazer uma avaliação do reflexo do aumento dos produtos do setor plástico nos demais setores. Segundo a assessoria de imprensa da Fiep, no momento em que as altas do petróleo chegarem às bombas dos postos de combustível o impacto será geral.
Um dos esforços do setor para tentar superar a crise, informou Moura, é no sentido de aumentar as exportações. Segundo ele, hoje, entre 3% e 4% das cerca de 300 mil toneladas de produtos plásticos são exportados. A intenção é formar um consórcio de indústrias para aumentar as vendas para o mercado externo.


