Indústria do PR quer mudar alíquotas
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segunda-feira, 02 de agosto de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os frigoríficos e empresas de laticínios do Paraná estão dispostos a abrir mão do recolhimento da alíquota de 7%, referente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em substituição a uma alíquota maior, de 12%. A proposta, por mais absurda que possa parecer, será levada pelo Conselho Temático da Agroindústria e Alimentos da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) ao governo do Estado e tem como objetivo aumentar a participação das marcas paranaenses nos supermercados do Paraná.
Ontem, a Fiep convocou uma reunião com o presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Pedro Joanir Zonta, e representantes das principais redes de supermercados no Estado para discutir o aumento da participação das marcas de produtos paranaenses nas gôndolas. O presidente do Conselho Temático de Agroindústria, Péricles Salazar, apresentou pesquisa que somente 10% dos produtos paranaenses estão disponíveis nas gôndolas dos supemercados do Estado.
Para Salazar, um dos maiores entraves à participação das marcas paranaenses nos supermercados do Estado é tributária. Pelo menos nos dois setores carnes e lácteos os supermercados preferem comprar esses produtos de outros estados porque obtêm créditos de 12%, enquanto no Paraná o crédito obtido é de 7%. Na diferença, os supermercados ainda embolsam uma diferença de 5,6%.
De acordo com Salazar, Minas Gerais vem sendo o mais agressivo na guerra fiscal com o objetivo de estimular sua bacia leiteira. Minas Gerais impõe uma alíquota de 12% para o produto, mas recolhe apenas 1% de alíquota sobre o leite que sai do estado. Para incentivar a venda do produto para outras regiões do País, Minas Gerais concede um crédito de 12% para as redes de supermercados.
Com o aumento da alíquota no Paraná, as redes de supermercados que comprarem produtos paranaenses também passarão a ter o mesmo crédito, situação que deve dar mais competitividade às marcas locais, explicou. De acordo com Salazar, a renúncia fiscal seria diluída ao longo da cadeia produtiva com o aumento nas vendas. Os frigoríficos paranaenses, por exemplo, cujos produtos participam com apenas 6% das carnes disponíveis nas gôndolas, teriam condições ampliar essa participação para 60%.
Outro entrave que dificulta a colocação das marcas paranaenses nas grandes redes des supermercados é de logística. Segundo Zonta, muitas redes supermercadistas têm suas centrais de compras em outros estados e de lá distribuem os produtos para todo o Brasil, operação mais barata em relação à logística das indústrias que recorrem a transportadoras.
Ficou decidido que Apras e Fiep farão um monitoramento mensal para medir a participação das marcas paranenses nos supermercados e esse indicador poderá se inserir como fator de persuasão do consumidor para aumentar as compras dos produtos da terra.


