Indústria do PR puxa queda da produção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A produção industrial do Paraná caiu 13,4% em novembro de 2012 comparada ao mesmo período de 2011. O Estado ficou com a maior queda entre os 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta foi a sexta taxa negativa consecutiva do Paraná nesse tipo de comparação e a mais intensa desde junho de 2009 quando a redução registrada na produção foi de -16,8%. No Brasil, a produção teve redução de -1% considerando a mesma base de comparação.
Na comparação com outubro de 2012, a queda na produção do Paraná foi de -5,1%, o quarto pior resultado do País, só perdendo para Goiás (-14,7%), Espírito Santo (-6,3%) e Pará (-6%). Esse resultado anulou a alta de 2,8% que o Estado tinha obtido em outubro. No acumulado de janeiro a novembro, o Estado teve queda de 2,5% e nos últimos 12 meses terminados em novembro, a redução foi de 0,5%.
Para o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, a queda na produção pode ser explicada pelo desempenho fraco da economia em 2012. ''O modelo que o governo adotou, impulsionado pelo crédito, se esgotou'', justificou. Segundo ele, o governo tentou buscar alternativas para impulsionar a economia no ano passado, como a desoneração da folha de pagamento e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas a indústria não conseguiu reagir.
Para ele, isso mostra que o caminho adotado pelo governo federal não é eficiente. Zurcher defende que seria necessária uma redução maior da carga tributária e a ampliação de mais incentivos para a industrialização do Brasil. Com esta última medida, seria possível que o País pudesse exportar mais produtos acabados ao invés de mercadorias in natura.
Um aspecto que ele apontou como positivo é que a alta do dólar deve ajudar a conter a importação de produtos acabados. De janeiro a novembro de 2012, a importação de bens de consumo já teve uma queda de 13% no Paraná. Com isso, deve ser ampliada a produção destes bens no Estado. Segundo o economista, 2012 ''foi praticamente perdido para a indústria do Paraná''. Ele acredita que a indústria paranaense feche o ano com uma queda de 1,5%.
Os principais impactos negativos na indústria paranaense em novembro vieram dos setores de edição e impressão (-56,7%), veículos automotores (-26,1%) e refino de petróleo e produção de álcool (-13,5%). A pesquisa do IBGE aponta que o setor de veículos foi influenciado pela menor produção de caminhões.
De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de veículos no País caiu 1,9% em 2012, principalmente em função da grande participação dos importados com 21% do mercado e a queda de 20% nas exportações brasileiras. Ainda segundo a Anfavea, a queda de 40% na produção de caminhões no ano passdo influenciou fortemente o resultado do setor no País. A principal explicação para isso foi a mudança na legislação que exige desde janeiro de 2012 que ocorra uma menor emissão de poluentes por estes veículos.
A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), da Petrobras, localizada em Araucária, informou, por meio da assessoria de imprensa, que não iria se pronunciar sobre a pesquisa do IBGE.
Zurcher acredita que alguns fatores podem contribuir para a melhora do desempenho da indústria em 2013 como a economia dos Estados Unidos, que já começa a mostrar sinais de crescimento, e a China, que voltou a crescer. Para este ano, segundo ele, pode-se esperar um ano melhor para o setor. Um dos motivos para isso é a safra agrícola recorde esperada para o ano que beneficia o setor industrial direta e indiretamente. A previsão dele é que o Paraná recupere a perda de 1,5% prevista para 2012 e cresça um pouco acima disso.



