O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem que, em outubro, nove das 12 áreas acompanhadas na Pesquisa Industrial Regional registraram queda na produção na comparação com o mesmo mês do ano passado. Apenas as indústrias de Santa Catarina (11,0%), região Sul (3,0%) e Pernambuco (2,7%) tiveram crescimento. A indústria do Rio apresentou a maior taxa negativa do mês de outubro (-8,9%), influenciada, de acordo com o IBGE, pela redução na produção de petróleo e derivados, em função da greve ocorrida na Petrobras no final do mês.
Registraram quedas também as indústrias do Ceará (-7,0%), região Nordeste (-6,8%), Minas Gerais (-5,5%), Espírito Santo (-5,8%), Paraná (-1,1%), Rio Grande do Sul (-1,5%), Bahia (-1,5%) e São Paulo (-2,0%).
A produção média nacional registrou queda de 3,4% em outubro ante mesmo mês de 2000, como divulgado anteriormente. O desempenho positivo da indústria de Santa Catarina o melhor do Estado desde outubro de 1997 , foi resultado do aumento na fabricação de equipamentos para o setor de energia elétrica, aves abatidas e carne de suíno. No acumulado de janeiro a outubro, ante mesmo período do ano passado, oito das 12 áreas apresentaram crescimento na produção, segundo o IBGE.
A produção industrial de São Paulo registrou em outubro queda de 2% em relação ao mesmo mês do ano passado, a primeira taxa negativa nessa base de comparação desde setembro de 1999. O fraco desempenho foi resultado especialmente das reduções registradas no complexo metal-mecânico, que tem o maior peso na indústria do Estado. A queda nas vendas do setor automobilístico reduziu em 15,8% a produção do segmento de material de transporte. Houve diminuição também na produção metalúrgica (-3,7%) e material elétrico e de comunicações (-2,9%).
A performance do Estado acompanhou a tendência média das 12 regiões pesquisadas pelo IBGE, dentre as quais nove apresentaram queda na produção em outubro. Mariana Rebouças, gerente de Análise e Estatística do IBGE, ressaltou que a queda na produção de São Paulo só não foi maior devido aos bons resultados da indústria alimentar (aumento de 4,7%, impulsionada pela exportação de açúcar e de bovinos) e pela química (1,7%, com efeitos do crescimento das vendas de diesel e álcool).
A indústria paulista vinha registrando taxas negativas entre agosto de 98 e setembro de 99, período a partir do qual iniciou o processo de recuperação.
O crescimento começou a desacelerar em abril deste ano, próximo do início do racionamento de energia elétrica, até chegar em outubro ao primeiro número negativo desde 99. Segundo Mariana, o resultado reflete o ''cenário adverso'' que vem abalando a indústria (elevação das taxas de juros, desaceleração da economia mundial, redução da renda, além do racionamento energético) mas também à base de comparação elevada do ano passado, quando o setor estava no pico de produção.
Exportação O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, afirmou ontem em São Paulo que é preciso lutar pela redução dos juros para que possa haver uma melhora nas exportações. ''Ao falarmos em financiamento para o exportador, temos que falar também em juros. É preciso fazer um esforço para reduzi-los'', disse Amaral, que participou do 6º Encontro Anual da Indústria Química, no Hotel Renaissance.

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