Arquivo FolhaMedidas amargasO presidente da Fiep, José Carlos Gomes de Carvalho: ‘‘Retrocedemos para manter o Plano Real, agora vamos ter que correr atrás do prejuízo’’ A indústria paranaense apresentou um crescimento recorde de 7,8% nas vendas entre os meses de agosto e setembro. O aumento foi o maior registrado desde 1992. Os números foram positivos também na comparação do crescimento industrial entre setembro deste ano com o mesmo mês no ano passado. As vendas fecharam com uma variação positiva de 2,9%, nos 12 últimos meses. Mas os índices favoráveis não devem se repetir até o final deste ano. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) estima que haverá queda nas vendas nos próximos meses.
A redução está atrelada à determinação do Banco Central de alteração para cima das taxas de juros. ‘‘Haverá desaquecimento na economia e a consequência será sentida na indústria’’, prevê o presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho. Ele avalia que as empresas estão enxutas com margens de lucro reduzidas, o que compromete qualquer perda a mais neste momento.
Ainda é cedo para definir de quanto será a queda, diz. Mas a estimativa de fechar o ano com um crescimento industrial de 3% já está sendo revista. Não está descartada a hipótese de fechar 1997 com números negativos em relação a 96. ‘‘Retrocedemos para manter o Plano Real e temos agora que correr atrás do prejuízo’’, diz Carvalho.
A indústria dos bens duráveis, que no Paraná são as fábricas de maquinários agrícolas, caminhões e a linha branca, é a que mais sofrerá com a alta dos juros. Na maioria das vezes, os produtos destas empresas são adquiridos através de financiamentos ou prestações. Já os setores da indústria de bens de investimento (comunicações, metalurgia, material de transportes e mecânica) não devem ser afetados. Nos primeiros nove meses deste ano, os bens de investimentos foram os que apresentaram as maiores elevações em vendas. ‘‘Os números positivos se devem ao fato de haver uma demanda muito grande para eles’’, afirmou o economista da Fiep, Maurílio Schmitt.
Apesar do crescimento nas vendas registrado entre agosto e setembro, houve uma redução de 4,2 mil postos de trabalho. A queda foi de 1,3% em relação a agosto. Houve variação negativa de 3,6% entre setembro deste ano e setembro de 96.

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