Indústria do PR não vai repassar CPMF
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terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Carmem Murara 
Sucursal de Curitiba
Arquivo FolhaQuestão de competitividadeGomes de Carvalho: Se adicionarmos a CPMF no preço final, vamos ficar com mercadoria encalhada
A indústria paranaense não pretende repassar para o preço dos produtos o custo da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF), que entra em vigor no próximo dia 23. Uma pesquisa divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) aponta que 72,81% do empresariado não fará qualquer tipo de repasse de custo para os produtos. Apenas 10,53% disseram que vão aumentar os preços de maneira integral e 16,67%, farão reajustes parciais.
A pesquisa da Fiep foi feita entre quarta e sexta-feira da semana passada. Os pesquisadores enviaram questionários a 266 empresários. Deste universo, 125 responderam às perguntas. A consulta foi organizada para avaliar o comportamento do industrial paranaense frente a um novo imposto.
O presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho, disse que os empresários do setor industrial não repassarão a CPMF para não colocar no mercado produtos fora do preço de mercado. Se adicionarmos a CPMF no preço final, vamos ficar com mercadoria encalhada na fábrica, afirmou Carvalho. Para ele, os empresários vão se sujeitar a reduzir a margem de lucro. A Fiep aposta numa redução média de 0,5% no lucro, conforme o setor industrial.
Um dos fatores que deve segurar a indústria é a importação. Os produtos importados sofrem menor incidência da CPMF. O desconto da contribuição acontece em apenas dois momentos: primeiro, quando o importador paga a mercadoria e em segundo, quando ele aplica o dinheiro da venda do produto. Já a indústria nacional sofre uma série de descontos, que começa com a compra da matéria-prima e vai até o momento em que a produção chega nas mãos do comprador.
O chefe do Departamento de Economia da Fiep, Maurílio Schmidt, afirmou que uma das alternativas para o empresariado é tentar eliminar etapas na cadeia de comercialização. Muitas indústrias já adotaram a redução de etapas para não perder tanto lucro, disse Schmidt.
AçõesA Fiep apóia a decisão de empresários curitibanos que entraram com ações na Justiça para não descontar a CPMF. Recomendamos a todos que entrem na Justiça contra a CPMF, porque é uma questão de coerência, disse o presidente da federação.
Na tarde de ontem, saíram mais cinco decisões favoráveis a empresas e pessoas físicas que não aceitam pagar o novo imposto e foram à Justiça em Curitiba. Os juízes Joel Paciornick (3ª Vara), Nefi Cordeiro (8ª Vara) e José Sabino da Silveira (substituto da 9ª Vara) determinaram que os requerentes das ações depositem em juízo a CPMF até que o Supremo Tribunal Federal julgue o mérito da legalidade da contribuição. Os mandados de segurança beneficiaram até agora seis pessoas físicas e jurídicas. Poderão depositar em juízo as empresas Gomes e Zanetti, Velas Guanabara, Maqserras Máquinas Ltda, Retífica Novo Horizonte e Antonio Mário Gomes. O primeiro beneficiado foi o contabilista Irineu Laidens.


