A indústria paranaense aumentou seu faturamento em 2,72% em julho em comparação ao mês anterior, segundo a Pesquisa de Indicadores Conjunturais feita pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Entre os 18 segmentos avaliados, 11, particularmente, puxaram esse crescimento com destaque para materiais elétricos e de comunicações (23,06%), perfumaria, sabões e velas (13,85%), editorial e gráfica (12,77%). Neste mês, o próprio Paraná foi o destino que obteve maior crescimento em relação a junho (3,46%), seguido pelas exportações (3,08%) e outros Estados (1,05%).
Os resultados acumulados nos sete primeiros meses do ano, embora ascendentes em comparação ao mesmo período de 2003, ainda são insuficientes para alterar o quadro de retração da atividade industrial no Estado registrada no ano passado (- 12,15%). O incremento identificado nessa fase foi impulsionado principalmente pelos setores de material elétrico e comunicações (85,83%), bebidas (49,91%), matérias plásticas (30,64%), material de transporte (23,33%) e mobiliário (15,67%).
De acordo com Maurílio Schmitt, coordenador do Departamento Econômico da Fiep, o segundo semestre é, tradicionalmente, positivo para a indústria que aumenta sua demanda no final de ano. ''Normalmente, esse entusiasmo dura até outubro ou novembro. Daí para frente, os empresários começam a pensar na recessão dos primeiros meses do ano seguinte'', concluiu. Na sua opinião, a falta de investimento na indústria não favorece a conquista do Produto Interno Bruto (PIB) entre 5% e 6% ao ano. Atualmente, o País injeta 18% em melhorias estruturais quando deveria aplicar, no mínimo, 25%. ''Para alcançarmos essas metas, é preciso mais estabilidade econômica. Por enquanto, ainda corremos atrás dos níveis obtidos em 2002 que foi o melhor ano da nossa indústria'', relembra o executivo ao citar a alta no dólar como o principal motivo.
O esgotamento da capacidade produtiva em setores estratégicos e fornecedores de bens intermediários (siderurgia, papel, papelão, madeira e outros) está obrigando o empresário a importar insumos para atender os eventuais aquecimentos do mercado interno e a demanda externa conquistada a duras penas. Obviamente, isto acarretará aumento no preço das mercadorias. ''Para que nossa economia passe de pendular (ora voltada ao mercado interno ora ao externo) a sustentada é imprescindível que a indústria tenha condições de atender todos. Mas, isso exige, primeiramente, investimentos que não virão sem estabilidade'', prevê Schmitt.

mockup