Curitiba - Apesar de apresentar números positivos, a indústria do Paraná registrou no primeiro trimestre deste ano uma desacelaração na produção e na geração de empregos em comparação com 2004. A indústria paranaense teve uma alta de 4,96% na sua produção nos três primeiros meses do ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Porém, no mesmo período de 2004, na comparação com 2003, esta alta havia sido o dobro (10,74%). O mesmo aconteceu com o número de empregos. Enquanto de janeiro a março deste ano a indústria do Paraná abriu 8,3 mil novas vagas, no mesmo periodo de 2004 foram abertas 14,2 mil postos de trabalho.
''O primeiro trimestre costuma ser um bom indicador do resto do ano porque reflete o ambiente econômico do País'', explica o economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) no Paraná, órgão responsável pelos dados, Cid Cordeiro. Para o economista esta desaceleração é reflexo da alta taxa de juros que vem sendo praticada pelo governo federal e também pelo cenário que o mercado externo vem apresentando, já que a economia mundial está crescendo menos e há também uma desvalorização cambial. ''Mas, apesar do crescimento menor, a produção industrial do Paraná apresenta números positivos há 27 meses consecutivos'', ressalta o economista.
A dinâmica na geração de empregos na indústria do Estado, segundo o economista, é dada pela agroindústria e o setor não está tendo uma crescimento significativo. Segundo Cordeiro, a agroindústria apresentou índices ruins de geração de emprego em janeiro e fevereiro e só começou a se recuperar em março. Em março houve um crescimento de 1,55% no número de vagas de trabalho no setor agroindustrial (3.050 vagas), o que representou 76,4% do número total de emprego abertos pela indústria (5.471 vagas). É importante ressaltar que dois setores da agroindústria foram responsáveis por boa parte dos empregos em março: fabricação e refino de açucar (1.942 novas vagas) e produção de álcool (1.027 novas vagas).
Apesar do cenário para exportação desfavorável, as vendas externas das indústrias paranaenses no acumulado dos três primeiros meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2004, cresceu 26,09%. ''Este é um resultado que até surpreende. Mas nos próximos meses deve ter um percentual menor'', explicou o economista do Dieese-PR, Sandro Silva. O economista lembrou que a desvalorização do câmbio deve afetar mais as exportações daqui para frente porque as vendas dos três primeiros meses já estavam acertadas em contratos com o câmbio mais alto, do ano passado.
Um outro dado que chama a atenção é a comparação entre os percentuais de vendas e de compras (matéria-prima) da indústria paranaense. No acumulado dos primeiros três meses do ano a indústria do Paraná vendeu 4,06% a mais que o mesmo período de 2004 e comprou 15,48% a mais que nos três primeiros meses do ano passado. ''Isso pode ser um sinal de que as indústrias estão estocando porque esperam que a economia vai crescer'', observa Silva. Diante de todos os dados, a expectativa do Dieese-PR é que 2005 feche o ano com um crescimento industrial entre 5% a 7%. Em 2004, o crescimento foi de 10,07%.

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