Indústria do PR descobre o mercado externo
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A indústria paranaense tem como meta transformar o Estado em pólo exportador, a exemplo do que ocorreu com os tigres asiáticos. Inclusive a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) batizou um projeto de incremento às exportações industriais, já iniciado, de projeto ''Tigre Americano'', afirmou ontem o vice-presidente da entidade e presidente do Sindimetal, Roberto Karam. No ano passado, o Estado exportou US$ 7,1 bilhões, batendo recorde nas vendas internacionais.
Hoje o parque industrial paranaense responde por US$ 30 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB), 60% da pauta de exportações do Estado, que beira a 3 mil itens. O Paraná já está exportando 20% da sua produção industrial e o potencial de crescimento aponta para acima de 30% ao ano.
No ''Dia da Indústria'', comemorado hoje, a Fiep destaca a conquista da terceira colocação no ranking dos estados exportadores com a consolidação de um perfil mais moderno para a indústria paranaense, que tem garantido novos mercados. No primeiro quadrimestre deste ano as exportações industriais cresceram 35% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Vamberto Santana, a indústria do Paraná vem perdendo sua principal característica que é a agroindústria para uma indústria mais sofisticada e com potencial de crescimento principalmente no setores de informática e de veículos. ''Mesmo a agroindústria também está se modernizando e não é mais aquela exportadora de óleos como era no passado'', comparou.
Roberto Karam ressalvou que o mercado exportador ainda é sustentado pelas agroindústrias, que no ano passado foram responsáveis por 34% das exportações. Ele lembra, porém, que a indústria automotiva percebeu que a grande saída para produtos como autopeças e motores de automóveis é o mercado externo. ''Infelizmente o mercado interno não consegue sair de uma recessão crônica desde 2002'', observou.
Karam acredita que a exportação desses produtos aumenta na medida que o Estado exporta maior número de veículos como já está acontecendo. ''É um movimento novo no Paraná, de exportação de peças de reposição e de implementos agrícolas para os mercados do México, Leste Europeu e para a América Latina'', explicou.
Karam destacou ainda que também as pequenas e microempresas descobriram o mercado externo para vender seus produtos. Segundo ele, instituições como os Correios, Banco do Brasil e Sebrae estão dando treinamento e capacitação para empresas de metalmecânica, bijuterias e artesanato em geral.
Para o vice-presidente da Fiep, o projeto ''Tigre Americano'' se consolida à medida que vários setores da indústria, que não seja apenas a agroindústria se incorpora ao mercado de exportação. ''Dessa forma, estamos substituindo a exportação de grãos para exportação de produtos com valor agregado que utiliza mão-de-obra especializada e treinada.''


