Indústria do PR dá sinal de aquecimento
Carmem Murara
De Curitiba
Depois de um longo período de sucessivos desempenhos negativos, a indústria paranaense reagiu e fechou com aumento de 0,98% nas vendas de janeiro a setembro deste ano em comparação com o mesmo período no ano passado. Os dados foram divulgados ontem no boletim de análise conjuntural da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O resultado foi positivo também na comparação das vendas de outubro com as de setembro, que ficaram 3,16% maiores sobre o mês anterior.
Este foi o primeiro resultado acumulado positivo do ano, o que evidencia que as indústrias no Estado começam a retomar os patamares de vendas que possuíam antes da desvalorização cambial, em janeiro deste ano. As empresas estão operando com um faturamento 58% superior à média praticada em 1992, quando a Fiep começou a fazer a análise conjuntural das vendas junto às empresas.
O último levantamento demonstra que dez dos 19 gêneros pesquisados apresentam resultados positivos. A indústria da madeira, na liderança, teve um crescimento de 19,4%, enquanto a indústria química teve um crescimento de 13,65% e a de transportes 8,25% nas vendas. Os produtos alimentares tiveram um aumento de 3,14%.
Segundo a análise feita pelo Departamento Econômico da Fiep, a maioria dos gêneros, que teve crescimento, foi impulsionada pelo aumento de suas operações no mercado internacional. A indústria começa a responder ao apelo do governo federal que adotou a política de incentivar as exportações. A expectativa da Fiep é que a recomposição da atividade exportadora consolide os negócios no mercado interno a partir de agora e favoreça o desempenho das indústrias paranaenses.
A queda nas vendas foi verificada nos setores de bebidas (-29%), metalurgia (-22,5%) e material elétrico e de comunicação (-15%). Dos 19 setores da indústria, nove tiveram queda, segundo o boletim divulgado ontem.
Mesmo com o crescimento na atividade industrial, o desemprego ainda é crescente na indústria paranaense, segundo a Federação. A queda no nível de emprego foi de 3% nos nove primeiros meses do ano em relação ao mesmo período no ano passado. Em setembro sobre agosto a redução foi de 0,4%, o que representou o fechamento de 1140 vagas no Estado, aponta o balanço conjuntural.
Os gêneros que mais desempregaram em setembro foram o de material elétrico e comunicações, com queda de 3,3%, couros com redução de 2% e bebidas com queda de 1,3%. Já a indústria de perfumaria e sabão aumentou em 7,4% o seu quadro de pessoal e as metalúrgicas, em 1,7%. O setor da madeira gerou 1,4% mais empregos em relação a agosto, segundo o levantamento. As indústrias estão trabalhando com 77% da capacidade instalada, aponta a Fiep.





