Curitiba - O resultado da produção e do emprego criado na indústria paranaense no período de janeiro a abril deste ano aponta para um quadro de desaceleração nas atividades. A produção industrial cresceu 4,99% este ano, contra 8,09% de crescimento verificado no primeiro quadrimestre do ano passado. O saldo do emprego caiu de um patamar de 25,4 mil novas vagas criadas no primeiro quadrimestre do ano passado para 20,6 mil novas vagas no mesmo período deste ano.
Apesar da desaceleração, o emprego na indústria não parou de crescer, disse ontem o economista do Departamento Intersindical de Estatístical e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Sandro Silva, ao divulgar os indicadores da indústria paranaense. O Paraná foi o segundo estado da federação que mais gerou empregos no primeiro quadrimestre do ano, com a criação de 20.661 empregos. O primeiro estado a criar mais empregos foi São Paulo.
Em abril, o saldo de empregos aumentou 2,55%, com a criação de 12.368 novas vagas. Quase 91% desses postos de trabalho foram gerados no Interior do Estado. As usinas de açúcar e álcool ampliaram as contratações para atender a fase de colheita e início de produção e absorveram 78% das novas contratações. A indústria textil criou 6,1% das vagas geradas no mês e a indústria de madeira e do mobiliário, 3,7% das contratações.
Já a produção industrial apresentou queda de 3,21% no mês de abril sobre março, provocada pela queda de 14,32% na produção na indústria da madeira. O setor industrial de outros produtos químicos tiveram maior queda na atividade, com redução de 20,47%. As indústrias de máquinas e equipamentos tiveram queda de 16,79% e a de material eletrônicos, redução de 12,1% na produção. A indústria de outros produtos químicos foi prejudicada pela redução na compra de fertilizantes.
Mas nos primeiros meses do ano, a produção industrial apresenta aumento de 4,99% em relação ao mesmo período do ano passado. Estão sustentando esse crescimento, as indústrias de veículos (41,18%), indústria de edição, impressão e reprodução de gravações (32,23%), indústria de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (14,35%) e a indústria de bebidas (10,22%).
Esses setores apresentam resultados positivos também em função das exportações, atividade que cresceu 3,69% em abril. Segundo Silva, a indústria do Paraná vem apresentando bons resultados desde dezembro de 2002, justamente em função das exportações pelo agronegócio e recentemente, com o aumento da participação da indústria automotiva. Com isso, o crescimento da produção industrial paranaense até superou a média brasileira, que só começou a apresentar crescimento na indústria a partir de setembro de 2003.
O economista não acredita em manutenção do crescimento das exportações diante da atual taxa de câmbio. Segundo Silva, a tendência é de reversão e queda de participação das indústrias no comércio exterior até o final do ano.

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