Indústria do PR cria 20 mil empregos
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quinta-feira, 10 de julho de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Arquivo FolhaCarvalho, da Fiep: investimentos do Estado recuperam o setor industrialAs vendas das indústrias paranaenses registraram um desempenho positivo de 1,58% no acumulado dos meses janeiro a maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Como consequência deste comportamento favorável foram criados mais 20 mil empregos na indústria do Estado. Esse volume de vagas foi 6,88% superior ao mesmo período de 1996, enquanto nos demais Estados o desempenho foi negativo. O nível de emprego representa um crescimento de 14,04% em relação à média de 1992, considerado superior à média do País. O aumento do emprego na indústria do Paraná está sendo relacionado aos investimentos em infra-estrutura que estão sendo feitos no Estado.
Na verdade, o desempenho das vendas caiu no mês de maio, basicamente em função do comportamento das exportações que não beneficiou a indústria. Mas como o setor vinha registrando um índice positivo de 4,65% no acumulado de janeiro a abril, a queda do mês seguinte se reverteu ainda num crescimento de 1,58%.
Contribuíram para o bom desempenho da indústria, durante os cinco primeiros meses do ano, os setores de material elétrico e de comunicações, vestuário, calçados e artefatos de tecidos, material de transportes, mecânica e mobiliário. As vendas evoluíram mais no setor de material elétrico e de comunicações, registrando um índice 52,98% superior ao mesmo período do ano passado. O presidente da Fiep José Carlos Gomes Carvalho, que divulgou o quadro de desempenho das indústrias paranaenses, atribuiu o crescimento das indústrias de material elétrico e de comunicações à reação das construtoras que estão construindo mais imóveis em todo o Estado. Carvalho mencionou o esforço das construtoras na busca da competitividade, ao promover cursos de alfabetização dos trabalhadores durante o período de trabalho.
Arquivo FolhaPuxando a filaEvolução foi maior no setor de material elétrico: vendas foram 52% superiores às do mesmo período de 96
Carvalho destacou o setor de mobiliário que registrou um crescimento de 21,74% nas vendas até maio desse ano, quando em 1996 estava na lanterninha das vendas. Segundo o presidente da Fiep, o setor começou a se recuperar depois que modernizou as fábricas e profissionalizou as administrações, que passaram a acompanhar de perto a competitividade do empreendimento desde a entrada da madeira na indústria até a saída dos móveis. O ganho de rendimento foi da ordem de 30%, só em função da organização de gestão, explicou.
A recuperação do setor ocorreu sem a interferência do governo. Carvalho citou como exemplo a união das indústrias de móveis em Arapongas que construíram um imenso pavilhão para exposições e, na primeira delas, venderam o equivalente a US$ 200 milhões.
Já os índices negativos foram puxados pelos setores editorial e gráfico, têxtil, química, couros e peles e produtos alimentares. Os produtos alimentares, que tiveram uma redução de 44,89%, foram prejudicados pelas exportações. Carvalho lembrou que a desoneração do ICMS privilegou as exportações da soja em grão e não a indústria. Em anos anteriores, o Paraná se beneficiava das exportações de farelo e óleo, que esse ano foram mínimas. Carvalho observou que esse comportamento provocou um enorme rombo no caixa do governo porque a compensação prometida pelo governo federal, em função da lei Kandir, só começou a entrar após 60 dias o início das exportações.
O setor de papel e papelão registrou um declínio de 63,55% nas vendas durante os primeiros cinco meses do ano em relação a igual período do ano passado. O setor editorial e de gráficas também registrou comportamento negativo, explicado pela falta de campanhas políticas que normalmente fazem muitas encomendas e provocam uma reação na indústria. Carvalho salientou ainda que o setor perdeu a competitividade no mercado internacional, sendo que muitos serviços estão sendo encomendados no Chile, que oferece preços mais atraentes. E o setor de química registrou uma queda de 57,94% nas vendas. Segundo Carvalho, essas quedas são sazonais, sendo que o setor de química foi prejudicado basicamente pela redução das vendas de álcool.
Conforme avaliação do presidente da Fiep, a renda do setor primário está sendo fortalecida nesse primeiro momento, com a oportunidade de exportar a preços mais competitivos. Mas ele aposta na recuperação do setor industrial com os investimentos programados pelo governo estadual da ordem de US$ 9 bilhões, que certamente vão mudar o perfil econômico da indústria paranaense.


