A indústria paranaense vendeu 26,68% a mais nos primeiros oito meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando apenas agosto, o índice foi 6,29% a mais do que julho, contrariando previsões pessimistas de desaceleração na economia. A análise conjuntural da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) divulgada ontem, também mostra que o setor está operando com um faturamento recorde de 129% superior ao praticado em 1992, ano que se iniciou a pesquisa.
Os segmentos industriais que tiveram o melhor desempenho neste ano foram bebidas, com aumento de 100% em relação às vendas de janeiro a agosto de 2000; produtos alimentares (66,12%) e têxtil (38,68%). As maiores quedas foram observadas nas áreas de couro e similares (65,47%); vestuário e calçados (42,22%) e produtos farmacêuticos e veterinários (39,12%).
As montadoras instaladas no Paraná, que encabeçavam a pesquisa da Fiep de melhor desempenho de vendas até julho, caíram para quinto lugar no acumulado entre janeiro e agosto, mas ainda mantiveram alta de 26,47%. ''O setor automotivo é sempre o mais sensível às crises'', observou o presidente da Fiep, José Carlos Gomes de Carvalho. Segundo ele, essa queda não influi muito na produção industrial. ''Os números do Paraná estão bem porque as montadoras receberam apenas 27% do total de investimentos que chegaram'', afirmou.
O desaquecimento da economia brasileira, que ocorreu em menor escala no Paraná porque o Estado ficou de fora do racionamento de energia, pode ser sentida nos próximos meses, de acordo com o Departamento Econômico da Fiep. A retração percebida em investimentos, como bens de capital, e nas compras de bens duráveis mostrariam isso.
As exportações do Paraná também aumentaram nos oito primeiros meses do ano, atingindo US$ 3,6 bilhões, 23,63% a mais do que no mesmo período de 2000. A média nacional foi de 8,03%.
O nível de emprego medido pela Fiep mostra aumento de 9,26% neste ano, sendo que o segmento que mais empregou foi o têxtil, 96% de vagas a mais. Em agosto a alta foi de 0,08% em relação a julho, o que corresponde a criação de 280 vagas. O salário pago pela indústria em agosto teve queda de 1,8% em relação a julho. Segundo técnicos da Fiep, isso ocorreu porque em julho foram pagos benefícios, como a Participação em Lucros e Resultados (PLR).

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