A produção industrial do Paraná apresentou uma leve melhora. Houve um crescimento de 5,1% em setembro na comparação com agosto, o segundo melhor desempenho entre os estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e só perdendo para o Pará que teve crescimento de 12,6%. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, entretanto, o setor teve uma retração de 7,8% no Estado. No ano, a indústria apresenta recuo de 7,8%.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, explicou que este aumento de 5,1% registrado em setembro ocorreu devido à sazonalidade da indústria do Paraná que, tradicionalmente, tem um desempenho melhor no segundo semestre. No entanto, ele lembrou que o aumento da produção industrial geralmente inicia em julho e se mantém elevado, ao menos, até outubro. Porém, neste ano, a elevação da atividade da indústria chegou apenas em setembro, ou seja, com três meses de atraso.
Para ele, o resultado de setembro comparado ao mesmo mês de 2014, o acumulado do ano e dos 12 meses ainda é muito ruim. Em 2014, a indústria paranaense fechou com queda de 5,5% e a previsão dele para este ano é de queda de 7% a 7,8%. Segundo Zurcher, não há como prever como vai se comportar a indústria em outubro, já que o poder de compra do consumidor vem caindo.
No Paraná, o IBGE apontou crescimento no setor de fabricação de máquinas e equipamentos (7,9%) na comparação com setembro de 2014, e de produtos químicos, (13%). Também cresceu no mês a produção de derivados de petróleo e biocombustíveis (6,5%). Zurcher explicou que máquinas e equipamentos e produtos químicos foram impulsionados pela agricultura com a maior produção de máquinas para colheita, de ureia, amoníaco, adubos e fertilizantes.
Houve queda no Estado em setembro em nove das 13 atividades pesquisadas. O setor de veículos apresentou redução novamente (-37,4%) em setembro. Em 2015, esse segmento enfrenta uma queda de 30,4%. Em seguida vem o setor de móveis, com retração de 29,4% em setembro e 14,4% no ano. A indústria de máquinas, aparelhos e materiais elétricos também teve queda em setembro (-23,5%) e redução de 4,3% no acumulado do ano.
De acordo com ele, a queda em móveis pode ser explicada pela redução do poder aquisitivo da população que diminuiu a velocidade de compra de imóveis. O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas, Irineu Munhoz, disse que a produção do polo moveleiro da região teve queda de 13% a 14% na produção neste ano e houve o corte de 10% do quadro de funcionários, hoje em 10 mil trabalhadores. "A demanda caiu em função do cenário econômico. Para melhorar, precisamos que haja entendimento entre o governo federal e o Congresso", afirmou.
Em setembro, ainda houve queda em produtos alimentícios (-2,2%), o que mostra que a crise pode ter chegado à mesa do brasileiro, segundo Zurcher. Neste segmento, o IBGE registrou queda na produção de carnes bovinas.

Brasil

A produção industrial nacional teve queda de 10,9% em setembro frente ao mesmo mês do ano passado e 12 estados acompanharam a redução no ritmo produtivo no país no mesmo período. Deste total, sete estados de quatro regiões do país apresentaram retração ainda mais intensa do que a média brasileira. No Rio Grande do Sul, que teve a maior taxa de redução, o recuo do índice chegou a 19,7%, seguido pela queda de 13,1% no Amazonas e de 12,8% em São Paulo.
As outras quedas estaduais mais expressivas frente a setembro do ano passado aconteceram no Ceará (-11,9%), em Santa Catarina (-11,6%), no Rio de Janeiro (-11,2%) e em Minas Gerais (-11,1%).

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