A produção industrial paranaense teve retração de 15% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo Pesquisa Industrial Mensal da Produção Física Regional divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nem mesmo o avanço de 2,4% em relação ao mês imediatamente anterior ajudou a amenizar a situação da indústria do Paraná, que acumula queda de 8,3% nos últimos 12 meses e recuo de 13,2% no ano, e bem acima da média nacional (-7,1%). Na comparação anual – fevereiro de 2015 com o mesmo mês de 2014 - o recuo do setor no Paraná só ficou atrás do da Bahia, com queda de 23,2%, e do Amazonas (-18,9%).
Dez das 13 atividades pesquisadas no Estado apresentaram recuo na produção. Mais uma vez, a principal contribuição negativa veio do setor de veículos automotores com queda de 42,7% em fevereiro deste ano sobre o mesmo mês do ano passado. Também houve redução na indústria de produtos alimentícios (-11%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-8,4%), de produtos de minerais não-metálicos (-26,0%), de móveis (-19,4%) e de outros produtos químicos (-10,5%). Também chamou a atenção o recuo de 2,7% na indústria de máquinas e equipamentos. Por outro lado, nas contribuições positivas, o setor que mais cresceu foi o de celulose, papel e produtos de papel, com alta de 7,2% em fevereiro.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, destacou que o setor de automóveis é o mais afetado por conta da crise na Argentina, do aumento dos juros e das restrições ao crédito no Brasil. "Com a sensação de instabilidade, o consumidor adia as compras de produtos mais caros", disse.
Segundo ele, os dois primeiros meses do ano não refletem a situação real do setor de alimentos. Ele observou que o desempenho deste segmento em fevereiro também não preocupa porque o Estado teve uma boa safra agrícola.
Zurcher acrescentou ainda que o resultado negativo de móveis reflete as restrições ao crédito impostas pelas instituições financeiras. Outra queda preocupante do mês de fevereiro, segundo ele, é a de minerais não metálicos, que são produtos fornecedores da construção civil, como blocos, tijolos e cimento, o que também tem impacto grande.
Ele lembrou que o setor de máquinas e equipamentos vem tendo queda desde o ano passado. Isso mostra que as perspectivas não são boas. Quando há queda nesse segmento, apontou Zurcher, mostra que o setor industrial não está pensando em novos investimentos.
"O resultado da indústria em geral do Paraná em fevereiro mostra que a crise está forte e acentuada pela crise da Argentina", disse. Ele destacou que o país vizinho é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, depois da China.
Em relação ao crescimento de 2,4% que a indústria paranaense teve na passagem de janeiro para fevereiro, ele comentou esperar que seja o início de uma reversão de tendência de queda. Zurcher explicou que isso só vai se confirmar se a produção industrial crescer nos próximos dois meses. "Por enquanto, não há nenhum sinal de que a indústria vai ter um bom ano". Isso até em função do aumento da carga tributária no Paraná a partir de abril, do reajuste da energia, da elevação dos juros e da inflação.
O economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, observou que é possível uma recuperação do setor de alimentos neste ano. Já a indústria em geral vai depender do comportamento da economia do País. "A inflação alta tira o poder de compra da população. Com isso, a demanda é menor e a indústria deve produzir menos e demitir funcionários", prevê.

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