Indústria do Paraná paga melhores salários
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
Andréa Bertoldi com Folhapress <BR> Equipe da Folha 
Curitiba - O nível de emprego na indústria cresceu 0,5% em junho, na comparação com o mês anterior, registrando o sexto resultado positivo seguido. Em relação a igual período em 2009, houve aumento de 4,9%, a quinta alta consecutiva nesse confronto e o maior crescimento desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 2001. No semestre, o emprego industrial acumula alta de 2,4%. Os dados fazem parte da pesquisa industrial de emprego e salário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O incremento expressivo da taxa deste ano em relação à do ano passado se explica pela recuperação da indústria após a crise internacional e a recessão no País - que ocorre, do ponto de vista técnico, quando a economia registra dois trimestes seguidos de retração. A retomada das exportações e o aquecimento das vendas no mercado interno também justificam o desempenho positivo do setor. A previsão do governo federal é que a produção industrial cresça 11,5% em 2010.
No Paraná, o emprego cresceu 1,9% em junho comparado com o mesmo mês do ano anterior e 0,4% no primeiro semestre. O economista do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, acredita que os números do Estado foram inferiores à média nacional porque o Paraná não demitiu tanto em 2009 com a crise, comparado a outras unidades da Federação.
Em junho, o valor da folha de pagamento dos trabalhadores da indústria também cresceu. Descontada a inflação do período, o avanço foi de 3,3% em relação a maio, na análise dos dados com ajuste sazonal. Na comparação com igual mês em 2009, houve expansão de 8,3% e, no semestre, o crescimento foi de 4,6%.
No Paraná, os resultados da folha de pagamento foram melhores do que na média nacional. Em junho, comparado com o mesmo mês de 2009, houve um crescimento de 10,5% no valor da folha e nos primeiros seis meses de 2010, a elevação foi de 8,4%. Zurcher acredita que, devido a grande demanda de mão de obra, os salários estão sofrendo pressão no Estado.
Ele prevê que a indústria empregue significativamente até outubro e tenha níveis recordes de emprego e salário. O rendimento dos trabalhadores no setor pode encerrar o ano com crescimento de 10%. Segundo Zurcher, a indústria paranaense foi a segunda que menos sofreu o impacto da crise financeira, além de Goiás. Isso, porque ambas são muito ligadas ao agronegócio. De acordo com dados do Caged, entre janeiro e junho, a indústria do Estado já gerou mais de 33 mil empregos.
Já o número de horas pagas aumentou 0,3% em junho ante maio no Brasil. Em relação ao mesmo mês de 2009, houve alta de 5,7% - a maior taxa desde o início da série. No semestre, o crescimento foi de 3,5%. No Paraná, as horas pagas aumentaram 4,8% em junho e 3% no semestre.
Segundo André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, do IBGE, os números mostram o dinamismo do setor. ''Quando observamos indicadores que mostram a tendência para o emprego na indústria vemos que ele está em uma trajetória ascendente.''
O nível de emprego subiu em todos os 14 locais pesquisados em junho ante o mês anterior. As principais contribuições foram verificadas em São Paulo (3,7%), na região Nordeste (7,1%) e no Rio Grande do Sul (6,8%).
Entre os setores, houve avanço nas contratações em 14 dos 18 ramos industriais, com destaque para máquinas e equipamentos (9,5%) e produtos de metal (9,8%).


