Indústria do Paraná mantém boa expectativa, mas abaixo de 2025
Sondagem da Fiep mostra que 55% das empresas estão otimistas com 2026, embora índice caia seis pontos em relação ao ano passado
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segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026
Sondagem da Fiep mostra que 55% das empresas estão otimistas com 2026, embora índice caia seis pontos em relação ao ano passado

Em um período de incertezas devido à eleição, em outubro, empresários do Paraná veem o ano de 2026 com apreensão, aponta a 30ª Sondagem Industrial, levantada pela Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) e divulgada na manhã desta segunda-feira (2).
A pesquisa aponta que 55% das indústrias estão otimistas com o desempenho de seus negócios em 2026. Embora mais da metade tenha boas expectativas, o percentual representa uma queda de 6 pontos em relação ao ano anterior. Por outro lado, 59% projetam investimentos iguais ou maiores que os do ano passado.
Ainda em relação às expectativas com a economia, 61,2% dos entrevistados afirmam que a política nacional é o que mais afeta a avaliação, enquanto 25,6% citam a economia nacional. Já as incertezas geopolíticas mundiais e da economia internacional são citadas por 7% e 6,2% dos entrevistados, respectivamente.
O presidente da Fiep, Edson Vasconcelos, cita como fatores que sufocam as empresas o desequilíbrio fiscal, aumento de tributos sobre o setor produtivo e a taxa de juros elevada. “Tudo isso é fruto da falta de competência na condução da política econômica do país, com uma estratégia de sustentação do crescimento do PIB nacional por meio do gasto público descontrolado e pouco eficiente”, completa.
Para ele, o país tem uma economia baseada em gasto público e considera que há um “colapso” porque a disponibilidade de ativos humanos não acompanha a capacidade tecnológica. “Toda essa fundamentação da economia do mercado interno está calcada numa expansão fiscal, em programas sociais que perdem um pouco a vinculação com o seu real objetivo, que tem que ter uma passagem dessa pessoa que precisa do auxílio. Política com justiça social está vinculada, na nossa visão empresarial, a gerar oportunidades de valor agregado que distribuem riqueza”, explica.
Mesmo com as situações citadas, 29,3% dos entrevistados afirmam que vão investir mais que no ano anterior; 4,7% afirmam que vão investir “muito mais” e 25% manterão os mesmos níveis. As principais prioridades apontadas são a melhoria de processos, produtos e serviços, citados por 63,1%; redução do custo de produção (46,3%) e prospecção de mercados (44,5%) – no caso dos investimentos, os empresários poderiam escolher mais de uma opção.
Reforma tributária
Um dos assuntos que preocupa os empresários paranaenses são as novidades trazidas pela reforma tributária, que começa a ser implementada a partir deste ano. Mais de 70% dos entrevistados admitem que não compreendem na totalidade como a nova tributação vai afetar os negócios, enquanto 29,4% dizem compreender os impactos.
Entre os que responderam negativamente, o percentual é maior entre as micro e pequenas indústrias: 76% das empresas desse porte alegam desconhecer todos os impactos da reforma. O índice cai entre as médias (64%) e grandes empresas (41%).
Para Vasconcelos, o desconhecimento sobre o assunto diagnosticado pela pesquisa acende preocupação. “A expectativa de todos não seria só simplificação, mas sim a redução da carga tributária. A pesquisa mostra que [o empresário] não percebe nem a simplificação, nem a redução. E se para a indústria estar nesse cenário, imagina para o setor de serviços e para o comércio”, reflete.
A expectativa de todos não seria só simplificação, mas sim a redução da carga tributária.
Edson Vasconcelos, presidente da Fiep -
Entretanto, entre os pesquisados, 54% acreditam que, após o fim da transição, em 2032, vai haver redução da complexidade tributária no país; 54% consideram que será boa para o país e 61% avaliam que será positiva para seu negócio.
A Sondagem Industrial 2025/2026 foi feita por meio eletrônico e recebeu 738 respostas válidas. Participaram da pesquisa indústrias de todos os portes e de todas as regiões do Paraná, sendo que as micro e pequenas representaram 68% das respostas, enquanto as médias são 27% e as grandes, 5%.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



