Indústria do lazer criará mais tempo no século 21
Do Financial Times
O lazer transformou-se em um dos setores econômicos mais dinâmicos do século 20. Mas, apesar do desenvolvimento tecnológico, a quantidade de tempo livre para as pessoas que trabalham como empregados continua a ser relativamente limitada.
Nos Estados Unidos, John Robinson, professor de Sociologia na Universidade de Maryland, e Geoffrey Godbey, professor de estudos do lazer na Universidade Penn State, concluíram que, dos anos 60 até hoje, o avanço tecnológico gerou menos de uma hora a mais de tempo livre por semana. A pesquisa acompanhou casais trabalhadores com crianças em idade pré-escolar.
No Reino Unido, o tempo livre aumentou apenas 5% entre 71 e 96, o equivalente a um ganho médio anual de apenas 0,2%, afirma William Martin e Sandra Mason, diretores da Leisure Consultants.
As mudanças na tecnologia como e-mail, Internet, computadores portáteis e celulares apontam para um futuro em que os trabalhadores terão ainda menos tempo disponível.
As atividades de lazer do século 21 serão cronometradas para render o máximo no mínimo tempo. Isso já explica o crescimento de centros de lazer nos subúrbios urbanos, onde é mais fácil estacionar e as pessoas podem se deslocar para uma série de atividades.
Exercícios que ocupam muito tempo, como caminhadas, estarão cada vez menos na moda.
À medida que as economias se orientam mais aos serviços e o trabalho exige menos do físico, cresce o apetite por fortes sensações no tempo de lazer, diz Stuart Harris, diretor assistente da Brand Futures Group, uma empresa especializada em previsões de mercado.
Para os atletas de sofá, a televisão continuará desempenhando um papel importante, mas deixará de ser uma pequena caixa preta colocada no canto da sala. Uma pequena tela esguia será embutida na parede e acoplada a um sistema de som semelhante ao de um cinema.
Os jogos de computador serão usados na Internet, colocando usuários em contato social.
Os jogos de azar também devem passar por alta, devido à sua aceitação social ampliada e à facilidade de acesso a locais que a Internet oferece.
Para os mais ativos, viagens continuarão a ser uma importante atividade de lazer. Viagens e turismo já são o maior setor econômico mundial, de acordo com alguns critérios de mensuração, respondendo por cerca de 10% da produção do planeta, de acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo.
Acompanhado dos setores de tecnologia da informação e telecomunicações, o turismo deve ser responsável pelo maior estímulo ao crescimento econômico no novo milênio.
O turismo deve mais que duplicar nos próximos 20 anos, com os 612 milhões de viajantes internacionais em 97 ampliados a 1,6 bilhão até 2020, de acordo com a Organização Mundial do Turismo, agência das Nações Unidas.
Já que alguns viajantes do século 21 terão pouco tempo, mas muito dinheiro, procurarão férias que ofereçam o máximo de atrações no mínimo de tempo.
Aventuras fisicamente exigentes devem entrar em alta, e viagens a locais exóticos ganharão demanda, como visitas às regiões polares, desertos e selvas tropicais.
As férias mais exóticas serão as viagens espaciais. A Organização Mundial do Turismo prevê que dentro de cinco anos haverá pessoas realizando curtas viagens de lazer ao espaço, e que um dia teremos férias na Lua.





