Arquivo FolhaEm expansão: o setor calçadista espera crescer 10% este ano

SÃO PAULO - Construir novas fábricas no Nordeste para baratear custos e produzir novas linhas de calçados direcionadas para o segmento popular são as tendências de várias grandes empresas do setor que estão expondo seus lançamentos na Couromoda 97, que abriu suas portas hoje no Anhembi, em São Paulo. A 27º edição da feira que termina na sexta-feira, reúne 700 expositores, representando 80% da produção nacional e é destinada a lojistas e empresários do setor.
O crescimento da concorrência, principalmente dos importados, e a necessidade de reduzir custos e preços começa a levar um número cada vez maior de empresas do setor de calçados para o Nordeste. Segundo dados da direção da Couromoda, já existem no Ceará, por exemplo, 40 unidades produtoras de calçados de grande e médio porte, sendo oito delas filiais de empresas gaúchas.
As fábricas produzem cerca de 172 mil pares de calçados por dia, principalmente injetados e tênis com preços de R$ 8 a R$ 20. Já estão instaladas no Nordeste empresas como a Grendene, a Alpargatas, Dakota e Dilly.
O diretor-presidente da Samello, Wilson Samello, afirmou ontem que deverá ter uma redução em seus custos operacionais de 40% a 50% com a instalação de cinco fábricas no Nordeste este ano. ‘‘A mão de obra é mais barata e eles oferecem incentivos fiscais que permitem concorrer com os exportadores italianos e espanhóis e com os produtores nacionais da economia informal’’, justificou. A primeira fábrica, na Paraíba, deve começar a funcionar em 60 dias e as outras quatro, localizadas na Paraíba e no Ceará, em seis meses.
O investimento inicial na construção destas novas fábricas será entre US$ 6 milhões e US$ 10 milhões, e a intenção de Samello é obter com a expansão um crescimento de vendas de 20%. ‘‘Pretendemos também, com o aumento de consumo das classes C e D, consolidar e aumentar a produção de linhas populares’’, disse.

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