SÃO PAULO - O mercado físico de café registra alta de quase 100% em seis meses. Com altas tão aceleradas, há muita negociação, mas poucos negócios efetivos nas principais praças. A oferta de café verde para as indústrias paulistas apresentou gradativo recuo neste início de mês. É o que aponta o indicador do Sindicato da Indústria de Café (Sindicafé), divulgado ontem e que ficou em 4,56 pontos, ante 4,38 na semana anterior.
O presidente do Sindicafé, Nathan Herszkowicz, defende mudanças nos leilões para que o estoque público possa cumprir a meta de equilibrar o mercado. Em carta ao Ministério da Indústria e do Comércio, o Sindicafé defendeu aumento do volume nos leilões e modificação do critério dos preços de abertura na venda, considerados altos demais.
O Ministério não considera procedentes as críticas do Sindicafé quanto aos critérios de preço dos leilões. O aumento do volume a ser leiloado está em estudo. Segundo funcionário do MICT, que pediu para não ser identificado, ‘‘o problema é o mercado físico, que subiu muito. Era inevitável que o leilão subisse também’’.
Na venda oficial mais recente, dia 5 passado, houve comprador para 76% das 150 mil oferecidas a torrefadores. O lote de 50 mil para as indústrias de solúvel praticamente não despertou interesse. Na venda anterior, em 8 de janeiro, as 120 mil sacas ofertadas tiveram comprador. À época, o presidente do Sindicafé considerou os preços ‘‘atrativos’’. ‘‘O critério em fevereiro foi o mesmo’’, rebate o MICT. ‘‘O critério não se presta ao momento atual’’, retruca Herszkowicz.
Nova alta O preço do café arábica voltou a subir ontem na Coffee, Sugar & Cocoa Exchange (CSCE), em Nova York, quebrando o recorde estabelecido no pregão de quarta-feira. A exemplo de quarta-feira, foi um dia marcado pela volatidade. Houve oscilação de 900 pontos durante o dia. Março, o próximo vencimento, ficou em 180,05 cents a libra-peso, valorização de 820 pontos (4,77%). Maio, o seguinte, terminou o pregão em 169 cents, mais 580 pontos (3.55%). Predomina no mercado a opinião de que os embarques na Colômbia vão atrasar ainda mais, por causa de greve do funcionalismo público, e das fortes chuvas, que prejudicam o transporte do produto até os portos.
A alta de Nova York não se repetiu na Bolsa de Londres. O fechamento para o café robusta nos contratos londrinos teve queda de US$ 10 a tonelada para março, a US$ 1.640. Maio, o vencimento seguinte, ficou em US$ 1.660, baixa de US$ 7. Os preços chegaram a alta de 50 pontos pela manhã, mas recuaram, com venda de especuladores. Apesar do recuo, as cotações ainda estão num patamar considerado elevado. Ao contrário do arábica, que tem oferta restrita, a safra mundial da variedade robusta, negociada em Londres, supera a necessidade de consumo.
O desempenho dos preços, que não param de subir, preocupa lideranças da cafeicultura, receosas de uma ‘‘ruptura’’ de consumo, como definiu o presidente da Sociedade Rural Brasileira, o produtor Luiz Hafers. As cotações altas demais levam a reajustes de preço ao consumidor, o que pode afugentá-los e diminuir a demanda para o café.

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