Indústria do algodão se une em defesa de transgênicos
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terça-feira, 24 de setembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo O setor privado vai agir de modo unificado em favor da liberação do cultivo de algodão transgênico no Brasil. A campanha foi anunciada ontem, em São Paulo, em entrevista coletiva com representantes da lavoura, da indústria, da exportação, de fornecedores e da pesquisa. De acordo com as entidades envolvidas com o algodão, o uso de biotecnologia reduz em até 45% os custos totais de produção da fibra, ou cerca de US$ 0,10 por libra-peso.
''A consolidação de uma cotonicultura competitiva no Brasil é garantia de geração de empregos em toda a cadeia, melhora a produtividade das lavouras e amplia o espaço brasileiro no mercado internacional'', disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf. Ele ressaltou que em 2002 a indústria deve exportar US$ 900 milhões em produtos têxteis de algodão, entre fios, tecidos, malhas e confecções, diante de importação de US$ 200 milhões em similares.
Para Skaf, o atraso do Brasil em relação a outros grandes produtores mundiais de algodão poderá dificultar muito a sobrevivência da cultura. ''Dentro de alguns anos só haverá indústria têxtil em países produtores de matéria-prima, e o Brasil não pode perder tempo na modernização tecnológica da produção de algodão.''
O professor Paulo Degrande, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, comparou a resistência do governo à adoção da biotecnologia aplicada ao algodão com o início da mecanização das lavouras, há 20 anos. ''Foi feita uma lei proibindo a importação de máquinas colhedeiras de algodão, para preservar os empregos que a colheita manual gerava. Com isso, a área de produção caiu 90% no Brasil, pela perda de competitividade e de qualidade em relação ao produto de outros países, e a mecanização acabou chegando de qualquer maneira, com muito atraso'', explicou.
Ele falou do grande número de pragas que atacam as lavouras de algodão, e que exigem intensas e repetidas aplicações de defensivos agrícolas tóxicos. ''Com a biotecnologia, o uso de agroquímicos cai muito, daí a redução de custos para o produtor, sem contar os benefícios ambientais e sociais'', disse.
Autorização O que o setor privado pede com urgência é autorização para a execução de pesquisas e testes de campo com variedades transgênicas de algodão. ''O trabalho de campo só pode ser feito no ciclo normal da lavoura, que é o verão, e não podemos perder mais um ano em uma pesquisa que já está atrasada'', disse o diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), João Henrique Hummel.


